segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Quantas árvores você está DEVENDO?

Piloto troca combustível por árvore. Músico compra carbono. Funerária planta muda a cada enterro. Tudo para salvar a Terra.

Por Francisco Alves Filho
Colaborou Luciana Sgarbi

É preciso rever a antiga receita de realização pessoal que sugere a todo homem escrever um livro, ter um filho e plantar uma árvore – os dois primeiros itens continuam valendo, mas, para saldar nossa dívida ambiental com o planeta, semear apenas uma muda é atualmente quase nada. Essa constatação tem levado pessoas e empresas a uma eficaz iniciativa para amenizar o problema: é a chamada “neutralização”, que consiste em compensar a ação poluente do ser humano com o plantio de árvores, o mais equivalente possível à quantidade de dióxido de carbono (CO2) lançado na atmosfera – a vegetação absorve o carbono e a poluição é neutralizada. “Contribuímos para o aquecimento global quando usamos, por exemplo, materiais não degradáveis ou veículos movidos a combustível fóssil”, diz David Zee, professor de meio ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Para se ter uma idéia, uma família que consome 400 watts de energia elétrica por mês, locomove-se de carro diariamente por 20 quilômetros e produz 800 gramas de lixo por dia, precisa plantar anualmente 12 árvores para equilibrar sua ação poluidora. Um brasileiro vive em média 72 anos e, para compensar o CO2 emitido na atmosfera ao longo desse tempo, teria de reflorestar uma área equivalente a 2,5 campos de futebol (cerca de 19,5 mil m2). E você, já sabe quantas árvores está devendo?

“No ano passado coordenamos 20 projetos de neutralização de carbono. Em 2007 já chegamos a 100”, diz Eduardo Petit, sócio da empresa Max Ambiental. No início, apenas ativistas recorriam a esse expediente. O que se vê nos últimos tempos, emporém, é a determinação de grandes empresas, o entusiasmo de pequenos grupos e a adesão das chamadas pessoas comuns. Foi o que fizeram os cariocas Renato Barandier e Izabela Lentino, ambos arquitetos, que se casaram no dia 20 de outubro e decidiram neutralizar as sete toneladas de carbono emitidas na cerimônia. A mesma preocupação moveu o piloto de stock car Allam Khodair, da equipe Boettger, responsável pelo plantio de 59 árvores para absorver o CO2 das três últimas provas da temporada. O conjunto de samba Jeito Moleque tornou-se o primeiro do País a fazer shows “neutros em carbono” e, através da ONG Inciativa Verde, plantou mais de 500 mudas em 2007. Os organizadores do Carnaval baiano já anunciaram que vão neutralizar o carbono emitido pelos trios elétricos em 2008, o Paraná Clube planeja fazer o mesmo com as partidas de seu time e os empresários do último TIM Festival plantaram mudas compensando o gasto de energia no evento.

Cresce também a participação das empresas. Gigantes como a Bradesco Capitalização, Volkswagen e Petrobras, entre outros, começaram a cuidar para valer da natureza no ano passado. Mais: a Ipiranga investe R$ 6 milhões para compensar a poluição dos veículos e a HSBC Seguros lançou o Seguro Carbono Neutro com parte dos investimentos revertida para a preservação das florestas. “Estamos abertos à possibilidade de patrocinar o plantio”, diz Marcelo Teixeira, diretor executivo da seguradora. Mesmo as empresas médias estão agindo. A Tour House, agência de viagens corporativas, vai neutralizar o CO2 emitido nos deslocamentos aéreos. “O combate às emissões é exigência da sociedade”, diz o diretor comercial Mateus Passos. Vale a pergunta: esse plantio influi na diminuição do aquecimento ou apenas alivia as consciências? “A crescente participação das empresas e dos cidadãos pode pelo menos atenuar o problema”, diz Zee. Segundo Adauto Basílio, da Fundação SOS Mata Atlântica, os empresários não podem plantar pensando somente nos ganhos de imagem imediatos. “É preciso continuidade”, diz ele.

Continuidade, perseverança e empenho são palavras-chave nesse caso. Dá trabalho, mas vale a pena. É preciso acompanhar o crescimento da planta, principalmente durante os primeiros dois anos, cortar o capim a sua volta e evitar pragas. A desvantagem de cultivar uma árvore solitária é que, ao morrer, ela também libera carbono – quando está ao lado de espécimes iguais esse efeito é neutralizado. “Seria ótimo se o cidadão conseguisse envolver a família ou os vizinhos para plantar em quantidade”, diz o biólogo Roberto Strumpf, da Iniciativa Verde. Ou seja: a melhor solução é participar de ações coletivas através de entidades especializadas em reflorestamento, porque aí a pessoa paga pelo plantio das árvores em locais adequados, pode acompanhar o momento em que a muda é colocada na terra e recebe um certificado. Antes mesmo de qualquer redução no aquecimento global, essa mobilização tem o benefício de criar um contingente comprometido com a preservação. Gente que para ser feliz pode fazer uma releitura da velha máxima: vale escrever um livro (de preferência em papel reciclado), vale ter um filho (e educá-lo para cuidar da natureza) e vale, sobretudo, plantar não uma mas várias árvores vida afora.

PILOTO VERDE Preocupado com a emissão de carbono, o piloto paulista de stock car Allam Khodair pensou em usar combustível e pneus ecológicos. “Era impossível, todos os carros devem obedecer ao mesmo padrão”, diz ele. Chegou à conclusão de que o melhor seria reflorestar: “Levo em conta o combustível queimado, o transporte do carro para os Estados e outros detalhes.” A neutralização teve início na corrida do circuito gaúcho de Tarumã. Pelas três últimas provas do campeonato, Khodair autorizou a ONG Iniciativa Verde a plantar 59 árvores, sob sua responsabilidade, para compensar 11 toneladas de CO2 lançadas na atmosfera.

SAMBA ECOLÓGICO Os sambistas do grupo Jeito Moleque criaram uma espécie de banco de árvores onde depositam a quantia necessária para o plantio de mudas equivalente ao carbono emitido em suas apresentações. “Os especialistas escolhem locais adequados e depois fazem o acompanhamento da planta, para que ela cresça saudável”, diz Bruno Diegues, vocalista da banda. Isso começou em setembro e, desde então, mais de 500 árvores foram plantadas em diferentes pontos do Brasil. O próximo DVD será gravado na Amazônia no mês que vem. “Nossa idéia é conscientizar o público sem sermos chatos”, diz Diegues. Até o fim do ano, o Jeito Moleque terá patrocinado o plantio de mil árvores.

ÁRVORE DA FUNERÁRIA Desde o início de outubro, a Funerária Vaticano, uma das maiores de Curitiba, planta uma muda de árvore para cada pessoa morta cujos funerais ficam sob seus cuidados. “Podemos dar a muda aos parentes, mas preferimos fazer o plantio num bosque da cidade, onde a absorção de carbono é melhor”, diz Mylena Cooper, uma das diretoras da empresa. No primeiro mês foram semeadas 100 árvores com a participação de alunos da rede pública. “Esperamos que no futuro uma lei obrigue todas as funerárias a fazer o mesmo em todo o País.”

CASAMENTO SUSTENTÁVEL O casal carioca Izabela Lentino e Renato Barandier neutralizou toda emissão de carbono da cerimônia do seu casamento. No cálculo entraram o deslocamento dos 500 convidados, alguns vindos do Exterior, o caminhão que trouxe o vinho do Rio Grande do Sul e a energia elétrica. “Até nossa lua-de-mel foi contabilizada”, diz Izabela. Os técnicos concluíram que seria necessário plantar 36 árvores para compensar as sete toneladas de CO2 produzidas no evento – e assim foi feito. As mudas foram distribuídas numa floresta do Paraná. “Nossa contribuição não é tão grande, mas serve para conscientizar. E não é preciso casar para tomar essa providência”, brinca Renato.

Fonte: Revista Isto é - www.istoe.com.br - 12/11/07

África de Sebastião Salgado

O fotógrafo Brasileiro mais conhecido nomundo resume em duas centenas de imagens o seu trabalho dedicado à África

SOFRIMENTO Meninas somalis circuncidadas (2001)

Numa visita à aldeia de Sabbatum, na Somália, o fotógrafo Sebastião Salgado presenciou "uma das coisas mais cruéis já vistas na vida". A cena que o chocou, há seis anos, foi a de duas meninas que acabavam de ter seus clitóris arrancados e cujas pernas eram mantidas unidas por ataduras para não rasgar a cirurgia precária. "Elas não podiam se mexer, haviam acabado de perder a possibilidade de prazer no futuro", lembra Salgado. "A expressão dos seus rostos era de tristeza fatal. Naquele dia eu não consegui mais fotografar." Os retratos de Sitey Muse Mukhtar, na época com sete anos, e de Xalime Ali Sheik, de dez anos, fazem parte do extraordinário livro África (Taschen, 336 págs., R$ 199), no qual Salgado faz um apanhado de seu trabalho de 34 anos no continente africano. São 221 fotos selecionadas de 40 reportagens. Mas Salgado só identificou essas duas meninas somalis. E, claro, o líder etíope Hailé Sélassié, que lutou contra a dominação italiana, numa foto de 1974, publicada pela primeira vez.

TRABALHO Grupo dinka, do Sudão, conduz o gado ao final do dia no campo de Pagarau, no sul do país (2006)

Como aquela cena das circuncidadas, existem outras, inúmeras, que indignaram Salgado nessas três décadas de trabalho. E por isso foram documentadas e publicadas em revistas e jornais do mundo inteiro: como ele sempre lembra, seu trabalho de grande artista (palavra de que não gosta) é basicamente jornalístico. "Fotografo a realidade que está acontecendo. Não provoco aqueles fatos, eles fazem parte da nossa história", diz. São massacres, êxodo de populações desesperadas e famélicas, retratos de pessoas vítimas de cólera, malária ou hanseníase em flagrantes difíceis de se ver. Salgado poderia falar em detalhes de cada uma das imagens, porque não deixa de anotar o contexto de nenhuma delas e tem a memória viva de tudo o que aconteceu. Numa cena de grande impacto, uma mulher foge com a filha sob o fogo cerrado de um bombardeio aéreo, em 1985. Ela leva na cabeça a panela, como se fosse um capacete. "Isso aconteceu na província de Tigray, no norte da Etiópia, durante a guerra contra o governo. Eram refugiados abandonando o país em direção ao Sudão", diz ele.

CASTIGO Nômades atravessam o leito seco do lago Faguibine, no Mali (1985)

Essa foto pertence à parte mais dramática do livro, aquela dedicada à região do Sahel (África Subsaariana) - as outras duas cobrem a África Austral e os Grandes Lagos. "Em Sahel foi a própria natureza que castigou o homem", diz Salgado. Ao documentar o Lago Faguibine, no Mali, ele cruzou com um grupo de migrantes em pele e osso, cujas roupas negras contrastam com a luz escaldante refletida na areia. É como se entrassem num ponto cego da visão.

BELEZA Lago no vulcão Bisoke, em Ruanda (2004)

"Eles estão caminhando dentro do leito do lago que já foi o maior da África Ocidental." Num paralelo a tanta dor e miséria, Salgado selecionou também imagens mais aprazíveis, como a reportagem sobre o cultivo de chá em Ruanda, primeira região africana que conheceu, quando ainda era economista da Organização Internacional do Café, em 1971. Vinte anos depois ele voltou ao local e fez as fotos que estão no livro. Em 2004, realizou a série de paisagens com os vulcões e lagos da região, que também estarão nos volumes do projeto Genesis, previsto para 2011, sobre a parte "intocada" do planeta. Essas são as primeiras paisagens feitas por Salgado. Mas ele diz que a natureza sempre esteve presente em seu trabalho como contexto no qual se inseria o ser humano. "Não me tornei um fotógrafo de landscape", diz.

Fonte: Revista Isto é - www.istoe.com.br - 12/11/07

Brad Pitt é Jesse James

O ator americano interpreta o fora-da-lei nos últimos anos de vida num filme que ele produziu e que lhe deu o primeiro grande prêmio de atuação de sua carreira

IVAN CLAUDIO

CAIPIRA Brad Pitt cresceu em Springfield, a mesma cidade de Jesse James, e usou o sotaque da região no filme sobre o pistoleiro

De uns anos para cá, o astro Brad Pitt virou uma espécie de fora-da-lei de Hollywood: tem um dos maiores salários (mais de US$ 20 milhões por trabalho), nunca faz o que a indústria de filmes deseja e vive em fuga das lentes dos paparazzi. Em O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford, EUA, 2007), que estréia no Brasil no dia 23, Pitt dá vida literalmente a um fora-dalei, talvez o maior de toda a história do Velho Oeste americano. Trata-se do pistoleiro Jesse James, que já foi vivido anteriormente por Tyrone Power e Robert Wagner, entre outros, mas nunca com o carisma de um ator cuja condição de celebridade cai como uma luva para a situação do personagem retratado. É que esse Jesse James, dirigido com sobriedade e pretensões artísticas pelo neozelandês Andrew Dominik, coloca em evidência justamente a fama do bandido, àquela altura conhecido em todo o país por seus espetaculares roubos a bancos, trens e carruagens, e tema de inúmeras novelas baratas, as chamadas “dime novels” – algo como os livrinhos de cordel dedicados a Lampião. No lançamento do filme em Londres, terra dos tablóides sensacionalistas, Brad Pitt confirmou essa coincidência: “Quanto mais eu entrava na história de Jesse James, mais eu ficava surpreso em ver como esse tipo de imprensa já estava vivo e em pleno funcionamento naquela época. Já existia sensacionalismo e fabricação dos fatos. Foi muito curioso constatar que isso não mudou muito.”

É justamente um fanático leitor das histórias sobre Jesse James veiculadas nos jornais e nos livrinhos de bolso que divide a cena com o protagonista. Trata- se de Robert Ford (interpretado por Casey Affleck), um rapaz de 19 anos, irmão de um dos integrantes do bando de James (conhecido como James-Younger Gang), que tenta a todo custo ganhar a confiança do chefe e fazer parte do grupo. E é ele quem mata o bandido com um tiro nas costas (nenhuma surpresa, já que esse detalhe está no título do filme), coroando uma relação de admiração e ódio sob a qual muitos vêem uma enrustida paixão homossexual. Numa cena em que Ford, uma espécie de Mark Chapman do século XIX, observa James tomar banho, este pergunta a ele: “Você quer ser como eu ou você quer ser eu?” Na entrevista coletiva do Festival de Veneza, em setembro passado, Pitt (que ganhou o prêmio de melhor ator) comentou o assunto: “Não acho que exista uma conotação homoerótica na relação entre eles, mas, se causa prazer para alguns imaginar assim, não vejo problema. É até possível.”

Como raramente acontece, Pitt tem viajado muito para o lançamento do faroeste, sempre acompanhado de sua mulher, Angelina Jolie, e dos quatro filhos – os adotivos Maddox, seis anos, Pax, três, e Zahaara, dois, e Shiloh, de um ano. Seu interesse no filme é grande. Afinal, ele é o co-produtor da fita, orçada em US$ 30 milhões, por meio de sua empresa, a Plan B Entertainment, que colocou também de pé o mais recente trabalho de Angelina, O preço da coragem, ainda em cartaz. Jesse James estava previsto para estrear no ano passado, mas ficou um ano sendo remontado até chegar às 2h40 finais (a primeira versão durava quatro horas). Como se suspeita pela longa duração, trata-se de mais um daqueles faroestes crepusculares, a exemplo de Jeremiah Johnson e outros realizados nos anos 1970. Dessa vez, o foco foi lançado nos últimos anos de um pistoleiro, justamente naquele período em que, cansado da vida de crimes, ele decide levar uma vida anônima com a mulher e os filhos em alguma fazenda perdida no horizonte.

REBELDE James era visto como um Robin Hood

Foi exatamente isso o que aconteceu com o Jesse James da vida real, que foi morto em 1882, aos 35 anos. Considerado um mito pop como Elvis Presley ou James Dean, James foi homenageado por músicos como Bob Dylan, John Lee Hooker, Bruce Springsteen e Woody Guthrie, que o comparou a Robin Hood. A aura de rebelde veio da natureza de seus roubos: egresso das fileiras confederadas da Guerra da Secessão americana, ele justificava seu saque aos bancos como uma resposta à espoliação das terras sofrida pelos pequenos proprietários de terra sulistas, sua família incluída. Esse aspecto de sua biografia foi colocado em relevo pelo historiador inglês Eric Hobsbawn, no livro em que estuda o surgimento do banditismo social. Pitt aposta nesse mito e se diz até orgulhoso de aumentar-lhe o brilho com seus olhos azuis e cachos dourados – no filme, tingidos de preto. Segundo Pitt, 125 atores já interpretaram James, mas apenas ele tem uma conexão especial com o retratado: os dois cresceram na cidade de Springfield, no Estado de Missouri (Pitt nasceu em Oaklahoma, mas foi para aquela cidade ainda pequeno). “Eu não conhecia muito sua história, mas obviamente conheço bem sua região e sobretudo seu sotaque. Há muito tempo não podia falá-lo e foi um prazer tornar a fazê-lo nesse filme”, disse ele em Veneza. Na condição de astro, pode agora falar errado sem o risco de ser chamado de caipira, como aconteceu em Thelma & Louise, de 1991, o filme de Ridley Scott que o revelou e no qual interpretava um caubói às voltas com as duas mulheres entediadas com a vida.

Fonte: Revista Isto é - www.istoe.com.br - 12/11/07

sábado, 10 de novembro de 2007

"Homem-Aranha" de 5 anos entra em casa que pegava fogo e salva bebê

FELIPE BÄCHTOLDDA
AGÊNCIA FOLHA

Um menino de cinco anos, que estava vestido com a camisa do Homem-Aranha, salvou um bebê durante um incêndio na cidade de Palmeira (236 km a oeste de Florianópolis), de acordo com o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina.

O menino chama-se Riquelme Wesley Maciel dos Santos, e brincava de super-herói no quintal de sua casa.O bebê, Andrieli dos Santos, tem um ano e dez meses, e é filha de uma vizinha, em um bairro de classe média baixa do município na tarde de quinta-feira.Segundo bombeiros da cidade de Otacílio Costa, que atenderam a ocorrência, a dona da casa, Lucilene dos Santos, 36, percebeu que a moradia estava pegando fogo e correu para a rua.Riquelme viu o desespero de Lucilene, que dizia que o bebê havia ficado em um dos quartos da casa. Ele decidiu, então, tentar salvar a criança. O garoto de cinco anos entrou na casa, tirou o bebê do berço e, com dificuldades, trouxe a menina para o pátio, longe do perigo.

Ninguém se feriu. Apenas Lucilene e o bebê estavam dentro do imóvel no momento do incêndio, segundo os bombeiros.

Sem medo
Aos bombeiros, conta o soldado Giovanni Cunha, o garoto Riquelme disse que não tinha medo "porque era o Homem-Aranha".O bombeiro afirma que, antes de entrar na casa, o menino tentou acalmar a mãe de Andrieli."Ele disse que não era para eu gritar, nem chorar, que ele salvaria Andriele", contou a mãe do bebê à RBS TV.

O Corpo de Bombeiros foi acionado logo após Riquelme ter resgatado a menina.O incêndio consumiu cerca de 80% da casa de Lucilene, que era de madeira e tinha cerca de 50 m2.Um curto-circuito foi a provável causa do fogo, segundo os bombeiros. A cidade de Palmeira tem 2.300 habitantes.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - www.folha.uol.com.br - 10/11/07

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Zumbis atacam no Multiplex

Planeta Terror relembra velhos filmes de horror – e a experiência de vê-los num cinema ruim

Isabela Boscov

Mortos nos anos 80, primeiro pelo videocassete e depois pelos multiplex, os grindhouses, aqueles velhos cinemas pulguentos de centro da cidade que exibiam filmes sem parar (ótimos para se esconder da chuva, fazer hora ou ver o sexo e o sangue que os estúdios então não mostravam), deixaram pelo menos dois órfãos – Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Desde o início da carreira, quando se tornaram amigos, os diretores vêm tentando recriar em seus filmes as emoções lúbricas que, em garotos, viviam quando se refugiavam nessas salas decrépitas para ver produções baratíssimas sobre gangues de kung fu, ataques de zumbis, assassinos de garotas ou perseguições de carros. Há pouco mais de um ano, eles decidiram que o que faltava às recriações era o seu dado mais básico: a experiência do pulgueiro. O resultado foi Grindhouse, um conjunto de dois filmes, um a cargo de cada diretor, mais trailers de títulos fictícios (como o de Mulheres Lobisomem da S.S.) e um bocado de manipulação da película – que já vem riscada, mastigada e até com rolos faltando, substituídos por um acanhado "aviso da gerência". Lançado nos Estados Unidos como programa duplo, Grindhouse passou longe do sucesso que se esperava. Desde então, a dobradinha foi desmembrada (termo mais do que apropriado, considerando-se o conteúdo dos filmes). Planeta Terror (Planet Terror, Estados Unidos, 2007), o filme de Rodriguez, estréia nesta sexta-feira no país, precedido de só um dos trailers falsos. Prova de Morte, de Tarantino, deve chegar aqui apenas em março.

Planeta Terror é uma clássica fita de quinta categoria sobre zumbis. Um gás letal escapa de uma instalação militar, cobrindo todos nas imediações com pústulas borbulhantes e dando-lhes um insaciável apetite canibal. Convidados especiais como Bruce Willis, Naveen Andrews (o Sayid de Lost) e Michael Biehn (do primeiro Exterminador do Futuro) comparecem com as atuações mais pétreas de que são capazes. Os verdadeiros heróis são interpretados por Freddy Rodríguez, como um sujeito de pontaria infalível, e pela muito interessante Rose McGowan, como uma go-go dancer que, ao ter a perna arrancada por um zumbi, trata de substituí-la por uma metralhadora. Perneteando para lá e para cá e atirando no inimigo com seu cotoco, ela vai encarnar uma personagem atávica do gênero: a da "última garota", a quem caberá não apenas purgar o horror, como reiniciar a humanidade. Por limitações reais e fictícias de orçamento, o planeta do título é a Terra mesmo. Ou melhor, uma porção insignificante dela, em algum cafundó do Texas. Prova de Morte segue a mesma linha: Kurt Russell faz um dublê que usa um carro com motor V-8 para perseguir garotas indefesas. Ou isso pelo menos é o que ele pensa.

Com filmes como Pulp Fiction e a série Spy Kids, Tarantino e Rodriguez fizeram quase que sozinhos a fortuna dos irmãos Harvey e Bob Weinstein, quando estes comandavam a produtora Miramax e sua divisão B, a Dimension. Desde que romperam com sua empresa-mãe, a Disney, os irmãos ainda não conseguiram emplacar nenhuma produção que se comparasse em renda ou em prestígio com as suas investidas anteriores. Grindhouse era sua melhor aposta para este ano. Novamente, não é o caso de julgar o filme pela bilheteria. Pela primeira parte do programa, pode-se imaginar quanto se divertiram os sortudos que o viram na íntegra.

O que, afinal, é grindhouse

Esse é o apelido que se dava às salas de baixa categoria (como drive-ins e pulgueiros) que exibiam filmes sem parar

Por extensão, grindhouse designa também as produções baratíssimas exibidas nesses locais

Um grindhouse legítimo pertence ao gênero exploitation. Ou seja, tem de explorar de forma exagerada temas como sexo, horror, escatologia, zumbis, ninjas ou fetiches variados

As pornochanchadas brasileiras dos anos 70 são um ótimo exemplo de grindhouse, pelo tema e também pela técnica tosca

DE DAR SUSTOS TAMBÉM EM QUEM FAZ

Gênero que mais se recicla, por ser barato e ter público certo nos adolescentes, o terror é também o mais volúvel dos segmentos. Às vezes, parece ter morrido de vez; logo desponta de novo como favorito. O desafio é adivinhar qual dos seus subgêneros estará em voga na próxima maré cheia. Até alguns dias atrás, dava-se como esgotado o filão do sangue e vísceras. O Albergue fora um imenso sucesso. Sua continuação, lançada em junho, morreu na praia. Os apostadores do setor já haviam recolhido suas fichas quando, na segunda-feira, amanheceram com uma notícia inesperada. Jogos Mortais 4, da série que é a grande rival em mau gosto de O Albergue, fez quase 32 milhões de dólares na estréia. Em três anos, a franquia já acumulou 464 milhões, contra um total de 30 milhões gastos na sua confecção. Ou seja, ainda não é hora de aposentar os instrumentos cortantes.

Três coisas podem complicar a carreira de um filme de terror. Planeta Terror ilustra uma delas. Em vez de abraçar sua natureza, o filme trilha uma linha sutil entre a paródia e a homenagem – e a platéia moderna abomina a sutileza. As outras duas falhas estão exemplificadas por 1408, em cartaz no país. Estrelado por John Cusack, o filme junta terror psicológico, fantasmas e mutilações, para ninguém se sentir deixado de fora. Ou seja, não informa ao aficionado de cada corrente se aquela história é para ele ou não. Com 100 milhões de dólares de renda, seria possível imaginar que 1408 não é um fiasco. Isso até que se olhe seu orçamento, de 25 milhões. É aí que ele trai o primeiro mandamento do gênero: na relação custo-benefício, que é um pavor.

Fonte: Revista Veja - http://www.veja.com.br/

Pane no sistema

Nova série da Rede Globo incentiva a improvisação e o absurdo das situações

FRANCISCO ALVES FILHO

SEM NADA O fonoaudiólogo vivido por Selton Mello fica sem cartão e CPF

O noites de sexta-feira da Rede Globo com O sistema, que estréia no dia 2. Desde o fim de Os normais, exibido entre 2001 e 2003, existiram várias tentativas de reabilitar o horário. Depois de Os aspones, Carga pesada, Minha nada mole vida e Antonia, a emissora faz agora mais uma tentativa com a série escrita pelo casal Alexandre Machado e Fernanda Young e estrelada por Selton Mello. O experimentalismo é a marca do programa, que chega com uma aura de inovação. Tanto assim que os atores nem sequer conseguem defini- lo. “Nunca fiz um trabalho tão difícil de explicar”, diz Mello. Ele interpreta o fonoaudiólogo Matias, que, após discutir com uma atendente de telemarketing, descobre não ter mais CPF, cartão de crédito, linha de celular ou direito a energia elétrica. Ou seja, está excluído do sistema do título, contra o qual passa a lutar.

O roteiro absurdo dá inédita liberdade aos atores, pois um terço do programa é improvisado. “Fica uma ‘sujeira’, uma certa espontaneidade, que seria mais difícil de alcançar se não tivesse em prática o jogo da improvisação”, avalia o diretor José Lavigne. O time de atores, completado por Graziella Moreto, Ney Latorraca, Betty Gofman e Maria Alice Vergueiro, que foi hit no You Tube com o vídeo Tapa na pantera, é fera nesse quesito. “O programa é de ação e comédia, tem suspense e também nonsense”, explica a roteirista Fernanda Young. “O humor é usado para falar de assuntos duros.”

Segundo o roteirista Alexandre Machado, a trama de O sistema mistura ficção científica e maluquice

O parceiro Alexandre Machado vai mais longe: “A temática mistura ficção científica com maluquice pura”. Alexandre reconhece que é uma ousadia fazer algo novo num veículo que exige altos índices de audiência. “Repetir o que sempre já foi feito, mudando apenas umas coisinhas é sempre menos arriscado”, diz. Cautelosa, a emissora preferiu testar primeiro os resultados de O sistema: a série será exibida numa temporada de seis episódios.

Fonte: Revista Isto é - http://www.istoe.com.br/

Entrevista: Juliette Lewis

Ela trocou Hollywood pelo rock

A famosa atriz revela por que prefere a música ao cinema e mostra no Brasil a força de sua banda
Por NATÁLIA RANGEL

Juliette Lewis, 34 anos, vem ao Brasil na próxima semana para mostrar o seu lado roqueiro. Ela e sua banda Juliette and the Licks se apresentarão no País depois de cinco anos de estrada. A americana Juliette, "nascida e criada em Los Angeles", é mais conhecida do público como atriz. Atuou em diversos filmes importantes nos quais trabalhou com prestigiados cineastas - ficou famosa, por exemplo, a cena em que, ainda adolescente, é seduzida por Robert De Niro no aterrorizante Cabo do medo, de Martin Scorsese. Ela também estrelou, ao lado de Brad Pitt, o thriller Assassinos por natureza, de Oliver Stone. Juliette, por sinal, teve um longo namoro com Brad, hoje marido de Angelina Jolie. A atriz não se arrepende do tempo dedicado ao cinema mas deixa claro que gosta mesmo é de música. E de rock. Acaba de lançar o álbum Four on for floor (gravadora ST2) que tem a participação do baterista Dave Grohl, líder do Foo Fighters e ex-Nirvana. De Los Angeles, durante uma folga em sua longa turnê, Juliette falou, por telefone, a
ISTOÉ:

ISTOÉ - Há quanto tempo está em turnê?
Juliette Lewis - Estamos na estrada há um ano e dois meses, viajamos pela Europa, pelos EUA e agora faremos alguns países da América Latina. Mas hoje (quarta-feira 17) estou de folga em Los Angeles, minha cidade. Nasci e me criei por aqui.

ISTOÉ - E foi por aí também que começou logo cedo no cinema?
Juliette - É verdade. Fiz testes e comecei fazendo uns seriados meio trash. Mas logo consegui bons papéis e me deslumbrei com o mundo do cinema. Antes eu já fazia música e sabia que voltaria a trabalhar com isso.

ISTOÉ - E como é trabalhar em Hollywood?
Juliette - Eu adoro cinema. Quando estou escrevendo música, cenas de grandes filmes me vêm à cabeça o tempo todo. Mas você fica um pouco refém da indústria cinematográfica quando trabalha como atriz. Não consegue mais organizar a sua própria agenda e fica encastelada em sets de filmagem. Eu adoro o contato com o público, me traz uma energia poderosa.

ISTOÉ - E como surgiu a banda?
Juliette - Eu tinha medo de montar a minha banda. Sabia que quando começasse a montá-la, isso me tomaria por completo. Desperdicei muito tempo fazendo bobagens antes de tomar a decisão.

ISTOÉ - Que tipo de bobagens?
Juliette - Exagerando no álcool, em drogas em geral, badalando muito. Mas sobrevivi. Acho que aprendi a colocar a minha energia nas coisas certas: a música que fazemos é urgente, perigosa e se propõe a divertir.

ISTOÉ - Foi difícil tomar a decisão de criar o grupo Juliette and the Licks?
Juliette - Eu fiquei muito intimidada no início. Não tinha ainda um ponto de vista do que eu queria. Não sou a guitarrista da banda e era minha responsabilidade achar os músicos, nos inspirarmos mutuamente para começar um trabalho juntos com uma identidade musical. E eu acho que quatro anos depois a gente chegou lá e eu gosto do resultado.

ISTOÉ - O que você acha da decisão do Radiohead de colocar o seu novo CD, In rainbows, diretamente à venda na internet na forma de download e dar a opção aos fãs de pagar o quanto quiserem?
Juliette - Eu estou muito ansiosa em saber como as pessoas vão reagir a isso. É uma experiência muito interessante e moderna. E que só pode ser feita por uma banda que já tem diversos discos lançados, dinheiro e muito sucesso. Eu não acho que uma banda iniciante possa fazer isso. Na verdade, não estou certa. Talvez funcione. Eu sou uma pessoa que compra CDs. Não gosto de ouvir músicas no computador.

ISTOÉ - Onde você guarda as suas músicas favoritas?
Juliette - Eu tenho um iPod, mas até hoje não passei as músicas para ele. Viajei toda a turnê com diversos cases cheios de CDs. A verdade é que computadores dão pau, uma ou outra vez isso acontece. E eu não quero correr o risco de perder todas as minhas músicas.

ISTOÉ - Você toca guitarra?
Juliette - Toco mal. A guitarra me assusta. Os dedos se prendem nas cordas, eu me enrolo toda. Sou muito impaciente. Eu toco piano desde criança e, nesse inverno, quando teremos um tempo livre, vou compor para o nosso próximo disco.

ISTOÉ - No seu novo disco você está pintada e vestida com trajes indígenas. Qual a idéia?
Juliette - Não é nada político, não estou engajada na defesa das populações indígenas. Na verdade, eu admiro a cultura dos bravos guerreiros indígenas e sou fisicamente tão pequena que gosto de me imaginar uma brava guerreira. E a cultura dos povos indígenas é marcada pelo espírito de liberdade, o que acho que me acompanha a vida inteira, especialmente nessa minha decisão de seguir a jornada musical.

"Brad Pitt já foi meu marido, trabalhamos juntos em Assassinos por natureza. Ele é um dos atores que apóiam meu lado musical"

ISTOÉ - E o público? Tem sido receptivo com o seu trabalho?
Juliette - Sinto que sim. Em Londres, há três anos, nós tocávamos para 100 pessoas em pequenos clubes, e hoje voltamos e reunimos 25 mil num estádio. É uma experiência poderosa. Escrever uma música, tocar e sentir pessoalmente isso tudo. É muito poderoso, sinto que achei o lugar certo para estar na vida.

ISTOÉ - Você sente que há algum preconceito pelo fato de você ter vindo do cinema?
Juliette - Entre os músicos não sinto tanto, recebi e ainda recebo a colaboração de muitas pessoas. Mas sei que há críticos que não darão o devido valor ao meu disco por esse motivo.

ISTOÉ - E quais artistas colaboraram na sua carreira musical?
Juliette - O Dave Grohl, do Foo Fighters, toca bateria em todas as faixas do meu novo CD. A P.J. Harvey me emprestou uma canção e eu fiz uma regravação dela (Hardly wait) no meu disco anterior. E sabe como eu aproximo o cinema da música? Eu já gravei trilhas sonoras de cinema. É o caso dessa música. Faz parte da trilha do filme Estranhos prazeres. Mas muitas pessoas colaboraram, inclusive pessoas do cinema, Martin Scorsese, Brad Pitt, muitas pessoas me deram apoio, já foram aos shows.

ISTOÉ - O que você imagina do futuro da música na era digital?
Juliette - Acho que com a internet e as gravadoras perdendo o poder que tinham, o caminho serão os shows. Eu acho que caminha para isso. Sair sempre em turnê e ter uma conexão maior com as pessoas. Muitas pessoas, talvez, não vão dar o valor que mereço por eu ter vindo do cinema, ser uma estranha aqui. Mas essa é a realidade.

ISTOÉ - O que você ouve e admira?
Juliette - Eu adoro os experimentalismos feitos por Nico e John Cage nas décadas de 60 e 70. Nico é inspiradora. Na cena atual, amo Björk, Queen of the Stone Age, Foo Fighters. Acho que são pessoas que estão criando outros sons, investigando e trazendo novidades para a cena musical. Amo tudo que emocione, crie uma imagem ou deixe a mente livre.

ISTOÉ - Musicalmente, o que você ouviu recentemente que mais a impressionou?
Juliette - Talvez uma jam session informal de John Frusciante, do Red Hot Chilli Peppers. Ele estava deitado enquanto fazia milhares de experimentalismos, produzindo sons barulhentos com guitarras. A ponto de deixar qualquer pessoa enlouquecida. E na seqüência, ele mandava outro som, realmente bonito. Quando você assiste ao show, percebe como essa alternância de sons e ritmos é poderosa.

ISTOÉ - Você está feliz?
Juliette - Eu tenho 34 anos, sou uma mulher de verdade agora. Às vezes não acredito que cresci.

ISTOÉ - Por quê?
Juliette - Comecei a trabalhar tão criança, era sempre a mais nova, precoce. E, de repente, virei protagonista. Minha geração já está sendo superada por outras que estão chegando por aí.

ISTOÉ - Você pensa em voltar ao cinema?
Juliette - Sei que farei um filme algum dia. Mas não sinto necessidade de fazer um filme só para fazer um filme. Quero trabalhar com pessoas que estejam tentando quebrar regras e fazendo algo novo em cinema. Gosto do Lars Von Trier, do Dogma (movimento cinematográfico que prega a desglamourização), de Quentin Tarantino.

ISTOÉ - Você é casada?
Juliette - Não. Fui casada até cinco anos atrás e hoje somos ótimos amigos. Eu quero alguém que me mantenha aquecida durante a noite. Mas não agora.
"Adoro as experiências musicais feitas por Nico nos anos 60 e 70. É nela que eu continuo me inspirando"

ISTOÉ - Vai passar muitos dias no Brasil?
Juliette - Não teremos tempo este ano. É uma pena porque seria incrível encontrar músicos brasileiros depois do show. Tocar instrumentos e cantar. É incrível como é possível aproximar as pessoas através da música. Não precisa do idioma, nada, porque já existe uma linguagem.

ISTOÉ - O que você mais gosta nesse disco?
Juliette - Eu adoro a mistura de estilos que ele faz. As canções são muito diferentes entre si. Adoro Inside the cage, é uma das minhas favoritas. Estou orgulhosa desse CD.

ISTOÉ - Como o cinema interfere na sua música e vice-versa?
Juliette - Quando estou compondo sempre me lembro de uma cena, de rostos e lugares onde fui para realizar as filmagens. E é muito bom poder trabalhar com ambas as artes, duas áreas criativas. Eu gosto de misturar linguagens estrangeiras. Também participei de videoclipes, como Come to my window, de Melissa Etheridge.

ISTOÉ - Conhece alguma coisa da cultura brasileira?
Juliette - O Carnaval. Sei que tem algumas partes do País em que há bastante misticismo e diversidade musical. E que tem muito sol. Já ouvi tanta gente dizer que o Brasil tem a melhor música do mundo que estou ansiosa para conhecer mais. Quero conhecer a Bahia, pesquisar sons e percussão.

ISTOÉ - O que espera do show por aqui?
Juliette - É lindo que eu esteja indo para aí nesse momento. Quando decidir formar a banda há quatro anos, logo quis sair em turnê. E o meu empresário, organizando a primeira agenda de shows nos EUA, ainda não tinha nem um disco, e ele me perguntou que cidades eu gostaria de incluir. Eu, para mostrar que tinha grandes planos para a banda e que queria ir realmente longe com ela, disse para ele, coloque aí o Brasil, não sei qual cidade, mas quero ir ao Brasil. O seu país veio à minha cabeça do nada, eu jamais o tinha visitado. Bom, demorou um pouco, mas na semana que vem estarei aí.