quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O mexicano Diego Luna brilha em cinco produções

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 04/10/07

Como ator, produtor e até diretor, ele fala das relações entre Brasil e México

Jane Birkin assume que é cinqüentona. Diego Luna acha graça quando o repórter lhe diz que parece mais jovem do que é. 'Passei dos 30', esclarece, mas acha bom, como ator, manter a cara de garotinho. O mexicano Luna bem poderia ser considerado muso do Festival do Rio 2007. Na apresentação de Estômago, na Première Brasil, João Miguel foi chamado de muso do festival porque tem três filmes em exibição no evento carioca. E Diego? São cinco.Em dois, ele é ator, Mister Lonely e O Búfalo da Noite; de dois é produtor, Déficit, a estréia de Gael García Bernal na direção, e Cochochi; e no quinto ele próprio assina a direção. É o documentário J.C. Chávez, que resgata a figura do grande campeão de boxe do México. Por que um filme sobre um pugilista? 'Nunca havia ido a uma disputa de boxe, mas aí fui a Las Vegas para ver uma luta. Ao meu lado, sentou-se aquele sujeito que começou a conversar comigo. Era Chávez, que havia sido ídolo da minha infância e juventude.'Diego tinha 9 anos quando descobriu o lendário lutador que, nos 11 anos seguintes, encarnou uma espécie de alma vitoriosa do México. 'Chávez era imbatível e, enquanto derrubava os adversários, o México ia mudando. A economia se fortalecia, o Partido Revolucionário Institucional era alijado do poder que ocupava havia décadas. Quando Chávez sofreu a primeira derrota, no mesmo ano ocorreram os levantes de Chiapa e a economia entrou em sobressalto. Achei que, além de resgatar um herói mexicano esquecido, poderia, por meio dele, contar uma história do meu país.'J.C. Chávez é uma produção da empresa Canana Filmes, que Gael García Bernal e Diego Luna fundaram para estimular novos talentos. Amigos desde a infância (os pais de ambos eram atores), subiram ao palco juntos quando tinham 12 anos e desde então não se separam. Diego diz que é simples coincidência o fato de a empresa estar produzindo sua estréia e a de Gael na direção. 'Ocorreu, mas não criamos a Canana para financiar nossos projetos.' Ele gosta do filme de Gael - 'Es muy bueno' -, mas não omite que seu preferido, entre os da Canana, é outra produção que está no Festival do Rio - Cochochi, de Laura Amélia Guzmán e Israel Cárdenas, uma história sobre duas crianças que integrou a mostra Orizzonti, em Veneza.Gael e Diego dividiram a cena em E Sua Mãe também, de Alfonso Cuarón, o que permite falar do boom mexicano em Hollywood - Salma Hayek, Cuarón, Alejandro González-Iñárritu. Diego diz que nem Gael nem ele estão vendendo a alma ao cinemão. 'Queremos ser mexicanos nos EUA, como todos os que cruzam a fronteira. Dizemos que Alfonso e Alajandro são 'cruceros' de luxo' (cruceros são os mexicanos que cruzam a fronteira em busca de oportunidades de trabalho). Diego adora o Brasil e Alice Braga, com quem filmou Só Deus Sabe. 'Nossos países têm muito em comum: violência, corrupção, riqueza cultural e baixa educação. O cinema pode lançar pontes, eliminando as diferenças que nos separam.'

O mexicano Diego Luna brilha em cinco produções

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 04/10/07

Como ator, produtor e até diretor, ele fala das relações entre Brasil e México

Jane Birkin assume que é cinqüentona. Diego Luna acha graça quando o repórter lhe diz que parece mais jovem do que é. 'Passei dos 30', esclarece, mas acha bom, como ator, manter a cara de garotinho. O mexicano Luna bem poderia ser considerado muso do Festival do Rio 2007. Na apresentação de Estômago, na Première Brasil, João Miguel foi chamado de muso do festival porque tem três filmes em exibição no evento carioca. E Diego? São cinco.Em dois, ele é ator, Mister Lonely e O Búfalo da Noite; de dois é produtor, Déficit, a estréia de Gael García Bernal na direção, e Cochochi; e no quinto ele próprio assina a direção. É o documentário J.C. Chávez, que resgata a figura do grande campeão de boxe do México. Por que um filme sobre um pugilista? 'Nunca havia ido a uma disputa de boxe, mas aí fui a Las Vegas para ver uma luta. Ao meu lado, sentou-se aquele sujeito que começou a conversar comigo. Era Chávez, que havia sido ídolo da minha infância e juventude.'Diego tinha 9 anos quando descobriu o lendário lutador que, nos 11 anos seguintes, encarnou uma espécie de alma vitoriosa do México. 'Chávez era imbatível e, enquanto derrubava os adversários, o México ia mudando. A economia se fortalecia, o Partido Revolucionário Institucional era alijado do poder que ocupava havia décadas. Quando Chávez sofreu a primeira derrota, no mesmo ano ocorreram os levantes de Chiapa e a economia entrou em sobressalto. Achei que, além de resgatar um herói mexicano esquecido, poderia, por meio dele, contar uma história do meu país.'J.C. Chávez é uma produção da empresa Canana Filmes, que Gael García Bernal e Diego Luna fundaram para estimular novos talentos. Amigos desde a infância (os pais de ambos eram atores), subiram ao palco juntos quando tinham 12 anos e desde então não se separam. Diego diz que é simples coincidência o fato de a empresa estar produzindo sua estréia e a de Gael na direção. 'Ocorreu, mas não criamos a Canana para financiar nossos projetos.' Ele gosta do filme de Gael - 'Es muy bueno' -, mas não omite que seu preferido, entre os da Canana, é outra produção que está no Festival do Rio - Cochochi, de Laura Amélia Guzmán e Israel Cárdenas, uma história sobre duas crianças que integrou a mostra Orizzonti, em Veneza.Gael e Diego dividiram a cena em E Sua Mãe também, de Alfonso Cuarón, o que permite falar do boom mexicano em Hollywood - Salma Hayek, Cuarón, Alejandro González-Iñárritu. Diego diz que nem Gael nem ele estão vendendo a alma ao cinemão. 'Queremos ser mexicanos nos EUA, como todos os que cruzam a fronteira. Dizemos que Alfonso e Alajandro são 'cruceros' de luxo' (cruceros são os mexicanos que cruzam a fronteira em busca de oportunidades de trabalho). Diego adora o Brasil e Alice Braga, com quem filmou Só Deus Sabe. 'Nossos países têm muito em comum: violência, corrupção, riqueza cultural e baixa educação. O cinema pode lançar pontes, eliminando as diferenças que nos separam.'

domingo, 30 de setembro de 2007

Meirelles filma Julianne Moore em Higienópolis

Fonte: Jornal O estado de São Paulo - 30/09/07

Atriz americana grava ‘Ensaio sobre a Cegueira’, de diretor brasileiro

Valéria França

Acompanhada de dois seguranças enormes, a atriz hollywoodiana Julianne Moore foi vista durante a semana desfilando sua elegante brancura nos Jardins, bairro da zona sul de São Paulo. Os atores Danny Glover e Mark Ruffalo também estão na capital. Todos fazem parte do elenco do quinto longa-metragem do cineasta Fernando Meirelles, Ensaio Sobre a Cegueira (em inglês, Blindness), uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá. Depois de ser contratado pela produtora inglesa Potboiler Productions para dirigir o Ensaio Sobre a Cegueira, Meirelles exigiu que a cidade fizesse parte do roteiro das filmagens. Antes do Brasil, a equipe esteve em Montevidéu, no Uruguai.

As primeiras cenas paulistanas foram rodadas no domingo, na Marginal do Pinheiros. Hoje, o cenário é o bairro de Higienópolis, na zona oeste. A Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap) foi requisitada para funcionar como um quartel-general da equipe. Os trailers da produção ficam no estacionamento do campus. Em contrapartida, a faculdade pediu que cinco alunos do curso de cinema acompanhassem a equipe do longa-metragem, uma produção de US$ 20 milhões.

“Estamos acostumados com produções menores”, diz Luis Gustavo Bricks Bourg, de 21 anos, aluno do 6º semestre do Faculdade de Cinema da Faap. “Só participei de curtas, que foram parar em mostras alternativas.” Bourg é um dos cinco escolhidos que acompanham hoje as gravações. “Eu sou fã do Fernando Meirelles. Quando um brasileiro se destaca, o mundo olha o cinema nacional de uma outra forma.”

Baseado no romance de José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira trata de uma inexplicável epidemia de cegueira, que transforma personagens em animais egoístas lutando por sua própria sobrevivência.

Por conta das filmagens, fica interditado o tráfego de veículos na Rua Piauí, no trecho entre as Ruas Aracaju e Doutor José de Queiroz, e no cruzamento com a Rua Armando Penteado. A CET ainda mantém bloqueio temporário no cruzamento das Ruas Aracaju e Pernambuco.

Desde que foi anunciada a chegada das estrelas internacionais, a assessoria da O2 - produtora de Meirelles - tenta esconder os locais de filmagens para evitar tumulto. “Pelo que soube, o cenário principal é a Rua Piauí. Mas a produção não passou o endereço, portanto, pode ser uma cena externa ou rodada num edifício”, diz Bourg. O tumulto é quase inevitável. Julianne Moore tem dado autógrafos por onde passa. Hoje, não será diferente.

Para amanhã estão previstas gravações no centro da cidade, mas ainda não se sabe ao certo o endereço.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Um filme com a cara da Mostra

Bem-Vindo a São Paulo revela a metrópole por meio do olhar estrangeiro

Luiz Carlos Merten

Leon Cakoff gosta de dizer que Bem-Vindo a São Paulo, que estréia hoje, é um filme sem orçamento. Mas tinha de ser assim. A idéia surgiu há três anos, durante as comemorações dos 450 anos de São Paulo. A cidade é tão grande, um mosaico tão variado de imigrantes, de influências e culturas. Como se poderia retratar toda essa diversidade no cinema? Por meio do olhar estrangeiro, claro. 'Em qualquer lugar é assim - o estrangeiro consegue captar coisas que escapam aos habitantes, porque, afinal, as pessoas não reparam no que faz parte do seu cotidiano', explica Cakoff. Um dos personagens mais conhecidos da cena cultural paulistana - criou a Mostra Internacional de Cinema, que ao longo de mais de 30 anos vem sendo referência no País e no exterior -, ele fez do seu evento um marco de defesa da diversidade. Um filme com o selo da Mostra não poderia ser diferente.

Foi um filme feito por (e entre) amigos. Cakoff e sua mulher, Renata Almeida, não precisaram de muito esforço para persuadir os diretores estrangeiros, convidados da Mostra, a registrar seu testemunho sobre a cidade. Na maioria das vezes, os filmes foram feitos não apenas sem orçamento, mas também sem equipe. Os próprios diretores manejavam a câmera, uma mini-DV, e a equipe muitas vezes se resumia ao acréscimo de mais uma pessoa, geralmente um intérprete. Raros episódios precisaram mais do que isso. Daniela Thomas precisou armar um dispositivo para prender a câmera na frente de um carro; Kiju Yoshida necessitou de um tripé; Wolfgang Petersen, de um vôo de helicóptero. E só.

O primeiro a gravar seu episódio foi Phillip Noyce, cineasta australiano que desenvolveu boa parte de sua carreira nos EUA. Quando aqui esteve, para mostrar Geração Roubada, Noyce disse que havia sido um bom soldado na guerra de Hollywood pela ocupação dos mercados de todo o mundo, com sucessos como os da série com o agente secreto interpretado por Harrison Ford, em Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato. Noyce teve carta branca - como os demais diretores - para filmar o que quisesse. Ele circulou pelo centro de São Paulo. Topou com a excursão formada por um grupo de estudantes do interior. Noyce descobriu a cidade com eles. Optou por filmar São Paulo do Marco Zero, na Praça da Sé.

Todos os demais episódios foram sendo feitos com a mesma informalidade. 'Quando convidamos o Wolfgang (Petersen), ele participava da campanha para que seu filme Adeus, Lenin fosse indicado para o Oscar', lembra Cakoff. 'Wolfgang voou daqui para Los Angeles, mas prometeu voltar. Voltou em março do ano seguinte (2005), para concluir o trabalho.' Tsai Ming-liang fez o episódio dele horas antes de regressar a Taiwan. Como o acaso interferiu em vários dos filmes, ele encontrou um tanque de água - e todo mundo sabe como o diretor de O Rio é atraído pelo tema. O israelense Amos Gitai realizou seu curta, que não teve tempo de editar, mas deixou instruções que Leon Cakoff e Renata Almeida seguiram escrupulosamente.

No total, são 17 episódios que retratam a grandeza e a miséria de São Paulo. Não possuem todos a mesma duração. Os mais curtos, em torno de 2 minutos cada, são de dois estreantes - o espanhol Max Lemcke e o italiano Andrea Vecchiato. O mais longo, o episódio do japonês Yoshida, com sua mulher Mariko Okada. A história daquela garçonete evoca os primórdios da colonização japonesa no Brasil, quando os japoneses, lembra Leon Cakoff , 'vieram substituir os negros, como mão de obra barata, após a libertação dos escravos'. Se o filme foi feito sem orçamento, a finalização, pelo contrário, teve de ser bancada. A Anhembi Turismo entrou com os recursos e a TeleImage foi decisiva no processo de finalização - afinal, o filme foi feito e está sendo exibido em digital.

São 8 cópias em todo o País, incluindo duas em São Paulo, uma no Rio e as restantes em Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Brasília. O próprio Cakoff encarregou-se de dar unidade ao filme. Caetano Veloso - homenageado por Maria de Medeiros, que recita com emoção os versos de Sampa em seu episódio - foi chamado para fazer a narração. Por que? 'Porque eu precisava de uma voz especial', diz Cakoff. André Abujamra fez a música, menos a do episódio de Daniela Thomas, assinada pelo irmão da diretora, o compositor Antônio Pinto. Bem-Vindo a São Paulo estréia com uma promoção atraente para cinéfilos. Você vê o filme, cria uma frase sobre a cidade, acrescenta o ingresso e concorre a duas permanentes da Mostra, em outubro.

(SERVIÇO)
Bem-Vindo a São Paulo (Brasil/2007, 100 min.) - D
ocumentário. Dir. Kiju Yoshida, Phillip Noyce, Wolfgang Becker e mais 15 diretores. 12 anos. Espaço Unibanco 1 - 15h40, 17h40, 19h50, 22h (sáb. também 0h). Unibanco Arteplex 5 - 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20 (sáb. também 23h20). Cotação: Regular

Fonte: Jornal O estado de São Paulo - 21/09/07

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Desordem na Tropa de Elite

Filme sobre a polícia teve até seqüestro da equipe durante filmagens

AINA PINTO

ESCOLA Cena em que Moura ensina Junqueira e Ramiro reproduz treinamento com a polícia

Tropa de elite, filme de José Padilha sobre as entranhas de um batalhão da polícia militar, antes mesmo de estrear já é o maior da história do cinema nacional em dois quesitos: custo de produção (R$ 10,5 milhões) e pirataria. Nunca um filme foi tão copiado ilegalmente antes de ir ara a tela. “Queríamos levantar várias questões sobre violência, sobre o usuário de drogas que financia o tráfico. E surgiu também a discussão sobre a pirataria”, diz o produtor Marcos Prado. Mesmo que centenas de pessoas já tenham visto uma das muitas cópias que circulam pelas ruas e pela internet, ele acredita que o filme ainda possa obter um terceiro recorde: bilheteria de 5,3 milhões de espectadores, número só alcançado por 2 filhos de Francisco.

Quando as cópias piratas começaram a circular, surgiram comentários de que se tratava de uma ação de divulgação. “Seria um marketing burro. Ninguém divulgaria um filme a um mês do lançamento”, explica Prado, admitindo que houve, sim, uma divulgação involuntária. Três envolvidos no vazamento das imagens, funcionários da Drei Marc (empresa de legendagem) estão sendo investigados. Houve até boatos de que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tivesse visto uma cópia pirata. “Fizemos uma exibição privada para o governador para que ele pudesse falar sobre o filme”, diz o produtor.

A primeira exibição pública oficial será na abertura do Festival do Rio, na quinta-feira 20, e ele só entra em cartaz em 12 de outubro. A história se passa em 1997, quando Nascimento (Wagner Moura), capitão da tropa de elite da polícia, decide deixar o trabalho perigoso para cuidar do filho, mas, antes, tem de encontrar um substituto. O roteiro, baseado em depoimentos reais, foi comprado por R$ 3,9 milhões pela produtora americana Weinstein.

PRODUÇÃO Filme custou R$ 10,5 milhões

Mesmo com o aporte financeiro, os problemas não foram poucos durante as filmagens. Uma equipe técnica chegou a ser seqüestrada no morro Chapéu Mangueira. Todos voltaram ilesos, mas as armas usadas pelos atores sumiram. Depois disso, ficou difícil encontrar outra locação, porque os “donos” de outros morros temiam a presença da polícia. Patrocinadores também desistiram de financiar o filme ao saber do roteiro.

Além dos perigos nas locações, os atores tiveram treinamento com policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) – e sofreram. “Alguns globais não agüentaram e foram substituídos”, conta Prado. O elenco final é formado por Caio Junqueira, André Ramiro e Fernanda Machado, além de Wagner Moura. Quando todos os empecilhos pareciam terminados, apareceu outro. Alguns policiais ainda tentam impedir o lançamento porque querem identificar quem deu depoimentos ao diretor. “O filme é uma obra artística. É uma ficção baseada em fatos reais. Temos nossos advogados para explicar isso”, avisa Prado.

A vitória do homem comum

Fonte: Revista Isto é - www.istoe.com.br

Filmes fazem sucesso com atores que estão longe dos padrões de beleza de Hollywood

MARIANE MORISAWA
ROMANCE APROVADO

O gordinho Seth Rogen engravida a loiraça Katherine Heigl em Ligeiramente grávidos

Um ruivo gordinho que não trabalha e vive numa república falando besteira com os amigos conquista uma das loiras mais quentes do momento. Impossível? Pois muita gente achou que Seth Rogen, ator principal de Ligeiramente grávidos, podia se dar bem com Katherine Heigl, a doutora Izzie da bem-sucedida série Grey’s anatomy. Tanto que a comédia custou apenas US$ 30 milhões e arrecadou assombrosos US$ 148 milhões nos EUA, mesmo tendo estreado em meio aos tubarões do verão americano. Deixou para trás filmes como Treze homens e um novo segredo, recheado de bonitões. “É engraçado que existam mais homens do que mulheres que não acreditam nisso”, disse Rogen em entrevista recente. “Olho para o Ben, um perdedor total, sem dinheiro. Mas as mulheres dizem que é possível. Katie Heigl fica indignada quando as pessoas perguntam isso a ela.”

Cera, Mintz-Plasse e Hill, os astros de Superbad.

Ligeiramente grávidos, dirigido pelo mesmo Judd Apatow do sucesso O virgem de 40 anos, não está sozinho ao mostrar que os homens comuns, desses que se vêem nas ruas e não apenas nas telas de cinema, ganharam prestígio em Hollywood. Superbad – é hoje, que estréia em 19 de outubro no Brasil e foi escrito pelo mesmo Rogen em parceria com Evan Goldberg, também virou fenômeno com três garotos desconhecidos e caras de nerd como protagonistas. A produção, que custou US$ 20 milhões e já fez US$ 103 milhões de bilheteria, alçou ao estrelato Jonah Hill, 23 anos, Michael Cera, 19, e Christopher Mintz-Plasse, 18, ao exibir suas tentativas de conseguir bebida e, assim, impressionar garotas. Nada que outros adolescentes não tenham feito na vida, e aí está o segredo dessa comédia adolescente recheada de piadas impróprias para menores. No último Comic Con, a maior feira de quadrinhos do mundo, Hill, Cera e Mintz-Plasse foram bastante assediados por garotas – uma, inclusive, chegou a pedir que um deles autografasse seu peito.

Homer, típico americano da classe média

É só olhar o resto da lista das maiores bilheterias do ano para ver que os três atores são apenas os exemplos mais recentes dessa onda. Outra grande revelação de 2007 é o ator Shia LaBeouf, que caiu nas graças de Steven Spielberg e protagoniza a terceira maior renda de 2007, Transformers (US$ 311 milhões nos EUA). O ator de 21 anos, que está filmando a quarta aventura de Indiana Jones, não pode ser considerado exatamente um galã: é bonitinho apenas. Poderia ser o menino do apartamento ao lado. E, no entanto, é a maior aposta da indústria cinematográfica no momento.

GENTE COMO A GENTE
Shrek é um ogro. Como tantos homens que existem por aí, é rude, mas tem bom coração.

Mesmo os personagens que não são interpretados por gente de carne e osso expõem a preferência de Hollywood e do público pelos homens comuns. Shrek é um ogro, mas foi construído sobre bases humanas: é um sujeito que apenas deseja viver ao lado da mulher amada em seu tranqüilo pântano. E Homer Simpson foi criado à imagem e semelhança de grande parte dos chefes de família da classe média americana.

Shia LaBeouf, de Transformers, é a grande aposta de Hollywood

Nem os heróis são mais os mesmos. O elenco do seriado Heroes é povoado de gente bonita e sarada – só que o personagem de maior sucesso é o Hiro de Masi Oka, que passa longe do estereótipo do galã. A tendência tomou força a partir do Homem-Aranha de Tobey Maguire. Os estúdios têm apostado mais em gente como a gente para viver seus super-heróis. Depois do fortão Eric Bana, quem vai encarar o Hulk é Edward Norton – um grande ator, mas um cara comum. Robert Downey Jr. vai vestir o uniforme do Homem de Ferro. E Seth Rogen, ele de novo, está cotado para ser o Besouro Verde.

Entrevista: Rodrigo Pimentel

Sociedade aceita tortura policial, diz ex-PM que inspirou filme

Rodrigo Pimentel, co-autor do roteiro de "Tropa de Elite" e inspiração para o personagem de Wagner Moura, diz que prática, "lamentavelmente, funciona"

RAPHAEL GOMIDEDA
SUCURSAL DO RIO

Co-autor do livro "Elite da Tropa" e do roteiro do filme de "Tropa de Elite", o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Rodrigo Pimentel, que inspirou o personagem de Wagner Moura no longa, diz que a PM do Rio é violenta porque, "lamentavelmente, a tortura funciona". Aos 36 anos, é coordenador de segurança de um banco privado. Ontem, um grupo de 23 oficiais da PM anunciou que entrará hoje na Justiça com um pedido de proibição do filme "Tropa de Elite". Os policiais afirmam que a obra põe em risco a integridade física dos policiais do Bope, além de ser ofensiva à corporação. Planejam ainda uma segunda ação judicial, em que pedirão indenizações por danos morais.

FOLHA - A sociedade aceita a violência e a tortura da polícia?
RODRIGO PIMENTEL - Há no Rio um pacto velado de ignorar os direitos humanos e a tortura. Dezenas de professores, jornalistas, policiais e promotores que viram o filme me ligam, mas ninguém comenta as cenas de tortura. Passam despercebidas. Imaginei que fosse um tratado sobre a tortura e as pessoas a ignoram. O foco passa a ser corrupção policial e tráfico. Cito a morte de João Hélio e a capa de jornais de Rio reproduzindo a foto dos bandidos presos, algemados, e os policiais enforcando os presos, apertando o gogó. Aquela cena por si só já define tortura. Não sou solidário com aqueles bandidos pelo que fizeram, mas não se viu no Rio voz contra isso. A operação do Alemão, por exemplo, acho legítima e gostei do resultado, de 19 mortos.

FOLHA - Gostou?
PIMENTEL - Foi um marco da polícia, que ali saiu da passividade para a atividade, com investimento em inteligência.

FOLHA - Na sua opinião, houve assassinatos no Alemão?
PIMENTEL - É bem provável e razoável [supor] que possa ter havido algum tipo de execução. A OAB, que tradicionalmente tem compromisso com a legalidade, exonerou o presidente da comissão de Direitos Humanos [João Tancredo] que tentou investigar o caso.

FOLHA - Os assassinatos fazem parte do modus operandi da polícia?
PIMENTEL - Boa parte das mortes "em confronto" com a polícia são execuções.

FOLHA - Por que a tortura é usada?
PIMENTEL - Lamentavelmente, a tortura funciona, e o filme deixa isso bem claro. O PM chega ao assassino de um colega com muita rapidez. É eficiente, embora não seja ética nem legal.

FOLHA - E como ocorre na PM?
PIMENTEL - No Bope nunca se pregou a tortura. Nunca um comandante reuniu a tropa e ensinou a torturar, oficialmente. Fiquei sete anos lá -entrei 2º tenente e saí capitão- e nunca vi pregação contra a tortura. Mas nunca vi um comandante dizer: "Não quero, não aceito e vou prender quem fizer".

FOLHA - Em que situações a tortura acontece?
PIMENTEL - Tem uma situação típica da ação policial: o marginal é preso com uma pistola. O PM vai "trabalhar o marginal", esse é o termo, interrogar onde estão os comparsas, as armas, o pó. "Trabalhar" virou sinônimo de tortura. Acredito que o marginal não vá dar tudo isso de mão beijada, até porque terá de prestar contas por isso.

FOLHA - O Capitão Nascimento do "Tropa de Elite" é o senhor?
PIMENTEL - Não, é o Wagner Moura (ri). Na verdade, nasceu de quatro ou cinco capitães.

FOLHA - Como começou seu envolvimento com cinema e seu afastamento da PM?
PIMENTEL - Quando João Salles e Kátia Lund filmaram "Notícias de uma Guerra Particular", fui designado para acompanhá-los no Bope, como uma espécie de censor: ficar ao lado dos soldados, para que falassem só o que deviam. Comecei a lhes contar meus dissabores e decepções. Assinei a autorização para o filme, e meu comandante falou: "Ficou meio esquisito".

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 10/09/07