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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Inscrições abertas para monitores

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 23/05/08

Estão abertas até 5 de junho as inscrições online para interessados em trabalhar como monitores na sétima edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, de 27 de junho a 13 de julho. Os monitores recebem o público, orientam e participam de recreação com as crianças. Alguns requisitos são indispensáveis, como empatia com as crianças, pontualidade, iniciativa, dinamismo, paciência e compreensão. Mais informações e ficha de inscrição em www.mostradecinemainfantil.com.br.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Revel@dos pela web

Fonte: Revista Isto é - www.istoe.com.br
Acesso em: 05/05/08

A rede se tornou um poderoso instrumento para artistas se lançarem e olheiros encontrarem novos talentos

CARINA RABELO

PRECOCE Mallu Magalhães, 15 anos, estourou com apenas quatro canções no MySpace, em dezembro do ano passado. Em três meses, já recebia propostas de gravadoras e convites para shows. Foi um dos sucessos da Virada Cultural, em São Paulo, em abril

Ela só precisou de um violão para ficar famosa. Depois de colocar sua primeira música no site MySpace, composta por ela e gravada na sua própria casa em dezembro do ano passado, Mallu Magalhães se tornou uma referência no cenário nacional de rock alternativo. Em apenas três meses, a garota de 15 anos e quatro canções já estava na agenda de festivais de música independente de São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Desde então, não pára de receber ligações de gravadoras que batalham contratos de exclusividade. Na última semana de abril, a jovem consolidou seu sucesso repentino. Mallu foi uma das atrações da Virada Cultural, festival gratuito anual na capital paulista, que reuniu 3,5 milhões de pessoas neste ano. “É maravilhoso poder cantar para uma multidão a céu aberto”, diz a menina, de voz doce e atitude madura, que desde os cinco anos ouve Beatles e Led Zeppelin, tocados no violão ou assobiados pelo seu pai, um engenheiro apaixonado por música. “Meus pais me apóiam muito e entendem que às vezes preciso faltar às aulas para ensaiar”, diz Mallu, que passa cerca de seis horas por dia nas lojas à procura de CDs raros e, no resto do tempo livre, pesquisa na internet sobre artistas de canções folk.

Histórias semelhantes à de Mallu pipocam pelo Brasil. Nem em seus mais distantes sonhos a paulista Laura Neiva, 14 anos, que nunca fez aulas de teatro, imaginava receber um papel importante no filme À deriva, de Heitor Dhalia, diretor do longa O cheiro do ralo. Através de uma despretensiosa página no Orkut, a menina foi localizada pela equipe de produção do filme em setembro do ano passado e convidada para testes. “Achei uma loucura. Como alguém podia achar que eu aceitaria um convite feito pela internet?”, conta a garota. Numa coincidência do destino, uma das suas amigas conhecia um professor de teatro que reconheceu a pessoa que deixou o recado no Orkut. Três meses depois, Laura aceitou o convite. Após três dias de oficina de teatro, ela esbanjou talento e ganhou o papel de filha da atriz Débora Bloch com o ator francês Vincent Cassel. “Ela superou as nossas expectativas. Procurávamos apenas uma menina bonita, desconhecida do público. Achamos mais do que isso. Uma futura grande atriz”, garante Chico Acioly, preparador de elenco do filme.

REVELAÇÃO Laura Neiva, 14 anos, foi descoberta no Orkut pelos produtores do filme À deriva, de Heitor Dhalia. Após três dias de oficina de interpretação, a garota, que nunca estudou teatro, ganhou o papel de filha de Débora Bloch e do ator francês Vincent Cassel na produção

A indústria cultural precisa se reciclar e apresentar “caras novas” ao mercado todos os anos, o que fomenta uma rede de “olheiros” (caçadores de talentos), ávidos por novas possibilidades de investimento. São profissionais que navegam diariamente por sites, blogs, fotologs e comunidades em busca de artistas desconhecidos. “A gente está sempre de olho no que rola pela internet, e usa como critério o que é bem feito e o que pode render um retorno do público”, afirma Luiz Pimentel, gerente de conteúdo do MySpace Brasil. A internet, vista no passado como uma ameaça às gravadoras, se tornou parceira das empresas. “A rede virtual facilita a divulgação de produtos e o encontro de novos talentos, além de democratizar a comunicação com o público”, opina Marcelo Soares, diretor de novos negócios da Som Livre.

Com a rede, a resposta do mercado é rápida e pode surpreender até mesmo os mais talentosos. Fechar contratos com grandes empresas e fornecer conteúdos para sites de marcas consolidadas não estava nos planos de André Czarnobai, 28 anos, quando ele estudava jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Durante uma greve da faculdade em 1997, ele decidiu se comunicar com os amigos via e-mail através de um tipo de publicação informal de baixo custo, conhecida entre jornalistas como fanzine. Os textos agradaram tanto que, em quatro meses, André e oito colaboradores transformaram o fanzine na revista eletrônica Cardosonline, em homenagem ao apelido que o autor tinha na faculdade. Em 2001, a revista tinha cinco mil assinantes e mais de 300 colaboradores. Em 2002, o jovem inquieto descobriu o mundo dos blogs e, desde então, percebeu que as suas idéias poderiam render bons contratos.

O sucesso dos seus textos humorísticos, que mesclam ficção e realidade em narrativas literárias, levou uma editora gaúcha a propor a compilação dos contos num livro. Em 2005, foi publicada a obra Tavernas e concubinas, que levou Czarnobai a fechar parcerias com agências de publicidade no Brasil, México, na Colômbia e Argentina. Há um mês produziu um documentário para a GNT, presta “consultoria criativa” para o mercado audiovisual e já prepara um novo blog. “Sempre procurei fazer tudo por conta própria em vias alternativas, sem esperar que as coisas aconteçam”, comenta. Com tantos bons exemplos de sucesso e possibilidades no mercado, cabe aos novos artistas usar, e abusar, da internet. É de graça e funciona.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Quero ser cineasta

Fonte: Revista Isto é - 22/04/08

Com a profissionalização do mercado, trabalhar em cinema hoje é uma carreira viável, que exige jovens bem formados

Por CARINA RABELO

ESTRÉIA O documentário de Fernando Grostein sobre Caetano Veloso fez sucesso no festival É Tudo Verdade

Martin Scorsese estudou para ser padre, Brian de Palma se formou em física e Pedro lmodóvar era mascate. Tornaram- se cineastas graças ao acaso e ao talento. Ao contrário dos mestres, os jovens cinéfilos de hoje têm um caminho a trilhar. O mercado de cinema brasileiro está se profissionalizando. A produção de filmes no País cresce a cada ano, há mais cursos de graduação, maior demanda por profissionais qualificados e mais recursos para fazer filmes. “Hoje, o cinema já é considerado uma profissão ou uma carreira possível”, diz o cineasta Fernando Meirelles, que se formou em arquitetura na década de 70, montou a produtora O2, mas só conseguiu emplacar no cinema em 2001, com Domésticas. “O crescimento da indústria do audiovisual aconteceu depois que filmes como Carlota Joaquina e Central do Brasil trouxeram o público para ver filmes nacionais”, acrescenta Meirelles, que, depois do sucesso de Cidade de Deus, construiu uma carreira internacional.

Os aspirantes a cineastas de hoje sabem que não adianta ter uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. “É um mercado que exige noções de gestão cultural e captação de recursos”, afirma Evandro Cunha, presidente do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual. Foi com a consciência de que cinema também é negócio que Fernando Andrade Grostein, 27 anos, se tornou um dos jovens de destaque no mercado atual. Cinco anos atrás, quando gravou dois clipes e um show de Caetano Veloso, teve a idéia de fazer um documentário sobre o artista. Ele acompanhou o cantor na viagem de lançamento do disco A Foreign Sound, com passagens em Nova York e no Japão e realizou o seu primeiro filme, Coração Vagabundo, sucesso no festival de documentários É Tudo Verdade. “Cinema é arte e negócio. Para fazer filmes, a gente precisa de boas idéias e um profissional que veja o potencial de retorno do investimento”, diz ele.

VERBA Carolina filmou festas populares e conseguiu recursos para um longa

Vencer a falta de recursos para conseguir tirar as idéias do papel é o grande desafio para quem está começando. A cineasta Carolina Paiva, 33 anos, usou a criatividade. Logo após a faculdade, ela elaborou um projeto de documentário das festas populares do Nordeste e apresentou o material às prefeituras das cidades, que aprovaram a idéia. Assim, construiu um portfólio, fez seu primeiro longa e agora finaliza o segundo, um documentário sobre o cantor Genival Lacerda. “O jeito é ter cara-de-depau e correr atrás de patrocínio, sem depender dos incentivos federais”, diz. Muitos iniciantes encontram nas mídias portáteis e na internet uma nova forma de divulgação do trabalho. Malu Teodoro, 21, produziu um vídeo para celular e o material concorreu ao Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro. Só precisou de uma câmera digital e softwares de edição de vídeo. “O celular é uma mídia acessível que nos permite testar várias possibilidades”, afirma.

Sete amigos da Universidade de São Paulo (USP) também se valeram da tecnologia para divulgar o que produziram. Depois de disponibilizar o vídeo Matrix Baixo Orçamento no Youtube, eles fecharam uma parceria com a produtora Maria Bonita Filmes e fizeram o curta O Dia do Beijo, que foi exibido no canal Multishow, na semana passada. “Eles têm a tecnologia à disposição e podem testar diversos formatos até encontrarem uma forma de expressão visual”, avalia Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema e expresidente da Embrafilme. É um caminho para a geração do futuro.