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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sua vida no DVD

Fonte: Revista Isto é - 09/06/08
Virou mania presentear os amigos com produções para fazer chorar

Por Celina Côrtes

Imagine ser surpreendido na festa de aniversário com um pequeno documentário que percorra algumas de suas melhores lembranças, ao som de músicas definitivas em sua vida, pontuado por depoimentos das pessoas mais queridas! Esse pacote de fortes emoções está turbinando empresas que colhem os resultados da popularização dos gravadores de DVDs. As produções seguem um padrão televisivo, do tipo “esta é a sua vida”. E viraram o sonho de consumo da garotada aos mais velhos. “De um ano para cá, nossa demanda cresceu muito. Fazíamos dez gravações mensais, hoje fazemos 30”, contabiliza Ricardo Langer, um dos sócios da Vídeo Shack Laboratório, uma ex-locadora de vídeos em Ipanema, na zona sul do Rio.

DEMANDA Langer viu triplicar em um ano o pedido de gravações por mês

O trabalho é até simples. Requer computadores e uma ilha de edição, que pode ser pilotada por uma única pessoa. Solicitações de DVDs desse gênero costumam ser feitas por parentes e amigos. Os mais organizados já chegam com o acervo de imagens escolhido e basta um dia para concluir a produção. Mas há clientes que nem sequer sabem o que querem e ainda dependem do laboratório para produzir depoimentos, o que soma mais dois ou três dias de dedicação. Garimpadas as cenas, os produtores abusam de recursos de animação proporcionados pela tecnologia. Em alguns casos, os DVDs provocam cascatas de lágrimas. “Foi muito emocionante ouvir minha irmã dizer eu te amo, coisa que ela não tem coragem de falar ao vivo”, comenta Fernanda Spyer, que recebeu um belo flash-back de sua trajetória quando fez 18 anos.

Mas nem sempre as empresas têm tanto trabalho. Na carioca Supervídeo Produtora, outra antiga locadora de Ipanema, muita gente traz o serviço quase completo, deixando apenas a edição final sob o cuidado dos especialistas. São pessoas que dominam softwares de vídeos e outros programas de computador para incrementar o DVD. Algumas delas também estão se arriscando no novo segmento. A programadora visual Heloisa Pinheiro, 47 anos, e a arquiteta Márcia Dal Poz, 50, já pensam em profissionalizar a atividade que começou como brincadeira. “É fácil e delicioso fazer”, resume Heloisa. O resultado tem um sabor de eternidade até para o mais comum dos mortais.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Filmes em 3D chegam no fim do ano

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 26/05/08
Hollywood está investindo pesado na produção de obras nesse formato mas, no primeiro momento, apenas de animação

Hollywood está preparando o lançamento em larga escala de filmes em terceira dimensão, que chegam aos cinemas no fim do ano, primeiro em animação e, em seguida, com atores de carne e osso. O desenvolvimento de novos sistemas digitais permite a realização de médias-metragens em 3D, em especial a introdução da técnica de gravação estereoscópica, que obrigou os grandes estúdios a apostar em histórias nesse formato.
O estúdio DreamWorks promete que até 2009 vai verter para 3D todas as suas animações. Seu primeiro lançamento será Monstros vs. Aliens, uma história de mutantes recolhidos por humanos em um complexo secreto. O filme ficará pronto março e será uma "homenagem aos filmes de ficção científica dos anos 50", explica o desenhista espanhol Manuel Almela, que integra a equipe do DreamWorks.
A Disney, a partir de sua filial Pixar, anunciou seu início no cinema estereoscópico com Bolt, que chegará às telas no fim do ano. Em seguida, vai produzir outra animação, UP, e relançará em 3D Toy Story, em 2009. O projeto da Pixar/Disney inclui Toy Story 2, e sua nova seqüência, Toy Story 3, além de uma versão de Rapunzel, todas para 2010.
Filmes produzidos nos últimos anos em 3D filmes, com personagens reais, não fizeram grande sucesso, principalmente por causa das poucas salas equipadas para sua exibição, como é o caso Polar Express (2004) e Beowulf (2007), ambos de Robert Zemeckis. Esses filmes, realizados com sistemas que captam os movimentos dos atores para depois serem digitalizados, foram exibidos nas telas tanto em três dimensões como em seu formato tradicional, o que para muitos resultou numa estética estranha.
"Os diretores têm de melhorar as técnicas, a gente percebe que algo não funciona. Quando você quer imitar um ser humano, ou o faz igual ou cria uma caricatura", explica Almela, para quem o segredo está em combinar o conhecido motion capture com a habilidade dos animadores. "Quem faz isso são os técnicos, que não entendem o movimento, e o passam para a tela e nós, animadores, sim."
Uma prova de fogo para o futuro do 3D com atores será Avatar, anunciado para dezembro de 2009, com Sigourney Weaver e direção de James Cameron. Cameron contará com um orçamento de US$ 200 milhões para recriar em 3D um planeta fictício onde habita uma espécie de humanóides que imitam os humanos. "O Imax e os formatos em terceira dimensão vão se expandir e as salas de cinema terão de se adaptar", assinalou Almela, para quem o futuro da indústria avança sem freios nessa direção. "Os grandes estúdios querem, com isso, fazer com a gente vá mais ao cinema. Hoje, muitas pessoas preferem ficar em casa, onde têm uma tela e um sistema de som. A indústria sabe que tem de oferecer algo mais ao público.
"Os estúdios agora lutam para acelerar a adaptação dos cinemas, para que possam abrigar projeções tridimensionais ainda este ano, calculando que 5.900 salas de todo e mundo ofereçam esse formato, das quais 70% estão nos Estados Unidos.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O guia da TV digital

A televisão nacional entra numa nova era, a das transmissões em formato digital. Nesta reportagem, tudo o que é preciso saber para tirar melhor proveito da tecnologia que aumenta as opções de lazer dos brasileiros

Roberta de Abreu Lima

O Brasil entra na era da TV aberta digital neste domingo, 2. A mudança do sistema de transmissão analógico para o digital representa uma revolução comparável à passagem da televisão em preto-e-branco para o sistema em cores, quase quarenta anos atrás. O novo sistema amplia as possibilidades de lazer dos brasileiros, traz ganhos excepcionais na qualidade de imagem e som e abre a possibilidade do uso interativo da televisão. Para aproveitar essas vantagens, é preciso dispor, no mínimo, de um televisor de alta definição e de um conversor de sinal – e tal equipamento não sai barato. Isso não significa que quem tem um veterano televisor de tubo ficará, a partir de domingo, sem ver a novela preferida ou o jogo do time do coração. A transição para o novo sistema só terminará em 2016, quando o sinal digital terá substituído totalmente o analógico. Por enquanto, as transmissões digitais estarão restritas a parte da programação das emissoras. Na TV paga, é bom lembrar, nada muda de imediato. Este guia da TV digital foi preparado com duas finalidades principais. A primeira é tirar dúvidas sobre o funcionamento do novo sistema. A segunda, dar dicas para tirar o melhor proveito da transmissão em alta definição.

O sinal digital deixará a imagem e o som melhores em qualquer aparelho de televisão?
Sim. Nos televisores convencionais, de tubo, as imagens ficarão semelhantes às de um DVD. Desaparecerão os chuviscos e os fantasmas, aquelas silhuetas que aparecem em volta dos objetos que se movem na tela. O som também terá menos chiados. Nas telas de LCD e de plasma, as melhorias serão mais marcantes. Se esses aparelhos forem compatíveis com a alta definição, identificados pela sigla HDTV (High Definition Television), a imagem ficará sete vezes mais nítida.

É preciso comprar um televisor novo para receber o sinal digital?
Não. Para captar o sinal será preciso comprar um conversor, ou set-top box. O aparelho recebe o sinal digital e o repassa para o televisor. É parecido com os decodificadores das TVs por assinatura.

É recomendável comprar o conversor agora?
Os aparelhos que estão à venda agora custam o preço de uma televisão e oferecem poucos recursos. O preço deve cair à medida que mais pessoas decidirem pela compra.

Quem adquirir um conversor já poderá fazer compras pela televisão?
Os conversores que começaram a ser vendidos não estão preparados para isso. Esses aparelhos precisam ter um software para viabilizar a tão prometida interatividade.
Quem tem TV por assinatura precisa comprar um conversor?
Sim. Para captar o sinal da TV digital, todos precisarão de um conversor específico para esse sistema. Embora algumas empresas anunciem pacotes com sinal digital, o padrão é diferente do da TV aberta e a qualidade não chega aos mesmos níveis do sinal digital.

Então os assinantes de TV paga terão dois conversores, um para a TV por assinatura e outro para a TV digital?
A princípio, sim. Mas é provável que os fabricantes lancem conversores capazes de sintonizar tanto a TV aberta digital quanto os canais a cabo ou por satélite.

Quem tem um televisor de alta definição pode comprar qualquer conversor?
Para esse tipo de equipamento é preciso ter um conversor com a conexão HDMI, que transmite em um só cabo os sinais digitais de vídeo e de áudio. O preço dele é um pouco mais alto.
TV digital é o mesmo que TV de alta definição?Não. Uma televisão tradicional, de tubo, com um conversor, não exibe imagens em alta definição. Para que isso ocorra é preciso ter um aparelho compatível com alta definição. Muitos fabricantes anunciaram que lançarão modelos HDTV com conversores embutidos.

Por que o televisor de alta definição é melhor?
É a tecnologia que apresenta a imagem mais próxima à captada pela visão humana. As texturas e os contornos ficam mais definidos e é possível ver detalhes como rugas, manchas e até o suor no rosto das pessoas.

Existe um tamanho de tela ideal para a alta definição?
Modelos com mais de 38 polegadas aproveitam melhor o sinal digital.
É melhor esperar para comprar um televisor de alta definição?Para quem quiser um preço melhor, sim. Alguns modelos tiveram o preço reduzido em 70% desde 2003. Com a ampliação das transmissões digitais e o aumento da procura, o preço deve cair mais. Outro bom motivo para esperar é o fato de que as emissoras só vão transmitir por enquanto parte da programação em alta resolução.

Os aparelhos de DVD vão funcionar normalmente com os televisores de alta definição?
Sim. Porém, quem tiver um televisor de alta definição precisará de um HD-DVD ou de um Blu-ray se quiser ver as imagens também em alta definição.

Os home theaters funcionarão melhor com a TV digital?
Sim, e com o som muito melhor. No sistema analógico, o som transmitido é do tipo mono ou estéreo – para no máximo duas saídas de áudio. No sistema digital, a emissora poderá transmitir programas com som do tipo surround, que funciona em seis saídas – o caso dos home theaters.
É preciso comprar uma antena?
O sinal digital é captado por uma antena do tipo UHF, que pode ser interna ou externa.

A captação do sinal digital será sempre perfeita?
Da mesma maneira que ocorre com o sinal dos celulares, o da TV digital poderá não alcançar algumas localidades. Contudo, em todos os lugares onde o sinal for captado a transmissão será livre de defeitos.

O sinal digital será captado por televisores portáteis?
Sim. A imagem poderá chegar a televisores pequenos e a equipamentos do tamanho de um iPod. "Os televisores portáteis não fizeram sucesso no Brasil porque a imagem ficava muito ruim quando a pessoa estava em movimento", diz Roberto Barbieri, diretor técnico da Semp Toshiba. "Com a transmissão digital, a moda deve pegar."

Será possível ver TV digital em notebooks?
Sim. Já existem dispositivos que, quando plugados na entrada USB, funcionam como antenas. Eles são vendidos com um software que precisa ser instalado.

A TV digital começa em São Paulo neste mês. Quando irá para outros estados?
Na cidade do Rio de Janeiro, a previsão é que a transmissão digital comece no primeiro semestre de 2008. Até dezembro de 2009, todas as capitais terão canais digitais. Em 2013, a tecnologia já deverá ter chegado a todos os municípios.

Quais programas serão transmitidos em alta definição?
De início, as emissoras prometeram apenas novelas, filmes e jogos de futebol no novo formato. A novela Duas Caras, da Globo, já é filmada em equipamentos de alta definição. Gradualmente, toda a grade de programação incorporará a nova tecnologia. O tempo necessário para a migração completa depende das emissoras.

Por quanto tempo será possível adiar a compra do conversor?
Até 29 de junho de 2016. Enquanto isso, os sinais analógico e digital serão transmitidos simultaneamente pelas emissoras. Depois, a transmissão analógica será interrompida. Mas o prazo poderá ser adiado, como ocorreu em outros países.

Quando a TV digital será transmitida para celulares?
A partir deste mês, as emissoras poderão transmitir seus programas para celulares em São Paulo. Nas outras cidades, o sinal chegará simultaneamente ao início da transmissão digital. Para assistir à TV, porém, é preciso ter um telefone especial que ainda não está à venda.

Haverá mais canais?
O sinal digital permite que a mesma freqüência de um canal analógico seja usada para transmitir até oito canais. A TV Cultura de São Paulo, que é pública, já anunciou que vai transmitir mais canais.

A nova tecnologia vai mudar a forma como os programas são feitos?
Sim. "A maior definição faz com que os detalhes fiquem sete vezes mais perceptíveis", diz Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia. Isso significa que imperfeições no cenário e no rosto das atrizes, que passam despercebidas na TV analógica, ficarão evidentes em alta definição.

Quais serão os primeiros recursos interativos?
Possivelmente serão os guias de programação, semelhantes aos que existem na TV por assinatura, informando o horário de cada programa nos diversos canais.

Vai ser possível acessar a conta bancária pela televisão?
Sim. Em teoria, a televisão poderá oferecer serviços hoje disponíveis na internet. É o caso do T-bank, programa desenvolvido para bancos, que permite acessar o extrato e realizar transferências e pagamentos via televisão. O celular também pode se conectar com o conversor sem o uso de fios e ser usado para digitar o número da conta.

Será possível controlar o que as crianças vêem?
Sim. Os pais poderão programar o conversor para bloquear a exibição de programas ou filmes impróprios para menores, tendo como parâmetro a classificação indicativa. O recurso, comum nos Estados Unidos, precisa vir instalado no aparelho.

Haverá serviços públicos especiais para TV digital?
Os especialistas afirmam que, do ponto de vista tecnológico, nada impede serviços públicos interativos. A Receita Federal poderia, por exemplo, receber declarações do imposto de renda pela televisão.

Os programas serão transmitidos em outros idiomas?
Há viabilidade técnica, mas a transmissão dependerá das emissoras.

O telespectador poderá participar de votações via televisão?
Sim, mas não agora. Ainda deve demorar anos até ele poder votar nos participantes do Big Brother sem usar o telefone.

Será possível gravar em casa os programas em alta resolução?
Trata-se de uma decisão delicada, que deve ser tomada pelo governo, já que a possibilidade de copiar conteúdos pode incentivar a pirataria. Uma possibilidade é que seja permitido copiar um filme ou programa apenas uma vez, mas não transferir o arquivo para outro aparelho.

Será possível programar o televisor para pular os comerciais durante a gravação?
Essa possibilidade depende da decisão que será tomada com relação à gravação. Nos Estados Unidos, já há gravadores digitais de vídeo com esse recurso, o que causa pânico nos publicitários.

A transmissão digital vai deixar os jogos mais divertidos?
Sim. Já estão sendo desenvolvidos conversores com games embutidos. O certo é que os games em 3D ficam ainda melhores em televisores de alta definição.

O que virá depois da TV de alta definição?
A rede japonesa de televisão NHK criou a Ultra Alta Definição (U-HDTV). Nesse sistema, as imagens são formadas por 32 milhões de pixels (a alta definição tem 2 milhões de pixels). Com esse poder, a U-HDTV possibilita que imagens de alta qualidade sejam exibidas em telas gigantes. O som tem 24 saídas de áudio, contra apenas seis dos atuais home theaters.

Sem ele não dá
O conversor é a peça-chave da TV digital. Mas o preço está além do prometido

Para a grande maioria dos brasileiros, entrar no mundo da TV digital vai custar o preço de uma nova televisão. Os conversores digitais, que começaram a chegar às prateleiras na última semana, custam entre 369 e 1 100 reais, valor bem acima dos 100 dólares prometidos pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. Esses aparelhos são indispensáveis para captar o novo sinal e serão obrigatórios para os que não têm televisores com conversor embutido, os quais custam a partir de 8 000 reais. A variação de preço depende do que o equipamento oferece. Os mais baratos já trazem benefícios. Deixam a imagem dos canais abertos com a mesma qualidade da de um filme de DVD. O som fica limpo, sem chiados, semelhante ao de um CD.

DigiTV, da Positivo.499 reais
Os conversores mais baratos são recomendados para quem tem as TVs mais simples, de tubo. Deixam a imagem dos canais com qualidade de DVD

DTR 1007, da Philips. 1 099 reais
Quem comprou televisão de alta definição terá de desembolsar mais no conversor. O aparelho vem com entrada USB, o que permite ver fotos, vídeos e ouvir músicas gravadas em um pen-drive
Fonte: Revista Veja - www.veja.com.br Acesso em: 03/12/07

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Photoshop para leigos: menos caro e mais fácil

Confira teste exclusivo do novo Photoshop Elements 6, cujos recursos (e preço) são destinados ao usuário amador

Bruno Sayeg Garattoni

Ao contrário do que muita gente pensa, o Photoshop não é exclusividade dos fotógrafos profissionais. Ele tem uma versão amadora, que se chama Photoshop Elements e foi especialmente projetada para usuários leigos - além do preço bem menor, traz recursos exclusivos e ferramentas de edição simplificadas, mais fáceis de usar.

O Link testou, com exclusividade, a nova versão do programa: o Photoshop Elements 6, que chega ao mercado brasileiro em novembro. Na verdade, o Elements é um pacote composto por três programas: um organizador, um editor e um “exportador” de fotos (para gravar tudo em CD ou jogar na internet).O uso do programa começa pelo organizador. Que, como seu nome diz, organiza em grupos e categorias as fotos armazenadas no PC (ou descarregadas de uma câmera). Exatamente como faz o programa gratuito Picasa - leia mais na página 4. Ocorre que, ao contrário do Picasa, o organizador do Photoshop não é lá muito organizado.Se você deixar, ele pega as fotos da sua câmera e joga num grande “bolo”, junto com as imagens que já estão no PC. O Picasa é mais esperto: cria automaticamente um álbum, cujo nome o usuário é convidado a digitar.Para piorar as coisas, não tem um campo de busca para procurar fotos! Ou melhor, tem - mas está escondido. É preciso clicar em Find e aí selecionar busca por legenda (caption) ou nome do arquivo (filename).Acontece que, como o programa não solicitou que você nomeasse o lote de fotos durante a importação, elas ficaram sem nenhum tipo de identificação (como “churrasco”, “Natal”, etc.). Têm apenas os nomes estranhos, e sem sentido, do tipo DSC100094.jpg , com que vieram da câmera digital. Ou seja: na prática, não dá para fazer busca nenhuma.É possível evitar esse problema. Basta selecionar, antes de importar as fotos, a opção Custom. Mas o Photoshop deveria ser mais esperto. Mesmo.A interface gráfica do organizador também não ajuda. É poluida e ligeiramente confusa, muito inferior à do Picasa.O Photoshop compensa com um recurso inovador: o Find by visual similarity (encontrar por semelhança visual). Essa função analisa o conteúdo de determinada foto e encontra outras parecidas com ela (um pôr-do-sol, por exemplo). Legal.Mas não é o bastante. O organizador do Photoshop Elements é bem ruinzinho.

SHOW DE EDIÇÃO

Já o editor de fotos, é simplesmente excelente. Ele traz ferramentas exclusivas que realmente ajudam a trabalhar com as fotos. Confira, no quadro da página 5, como no Photoshop os retoques são sempre mais fáceis de fazer.E não só isso: o resultado final também fica melhor. Veja o caso da Varinha mágica (Magic wand). É uma das principais ferramentas, talvez a mais importante, em qualquer software de fotografia, pois ajuda a selecionar as regiões da foto que serão tratadas (como a pele de uma pessoa) sem que você precise demarcá-las, milímetro a milímetro, com o mouse. Nessa tarefa, o Photoshop foi muito mais preciso do que o similar gratuito Gimp. Sua coleção de filtros e ferramentas, com dezenas de opções, também é sem igual. Outra exclusividade do Elements é a edição guiada (Guided Edit). Ela realmente ensina, passo-a-passo, como melhorar as fotos: pois mostra, numa sequência lógica, tudo o que você precisa fazer (cortar a foto, retocar as cores e a iluminação, aumentar a nitidez, etc.).Basta ir seguindo as instruções, apertando os botões que aparecem na tela. Mas é preciso saber inglês (o software não tem versão em português).O Photoshop permite ver as fotos no modo Before & After, que mostra lado a lado o “antes” e o “depois” da foto que está sendo editada. Ou seja: fica muito mais fácil avaliar o efeito de uma ajuste, ou de um filtro, antes mesmo de aplicá-lo. As modificações não são destrutivas, ou seja, não afetam a foto original.

TIPO EXPORTAÇÃO

Na hora de exportar as fotos, seja para a internet ou para um CD, o Photoshop Elements também se destaca. As galerias de fotos online, que ficam hospedadas no site Photoshop Showcase.com, são muito bonitas - podem conter elementos sonoros e gráficos 3D.O gerador de slideshows é um caso à parte. Ele é um verdadeiro editor multimídia, que permite misturar vídeos e MP3 às fotos - e depois gravar tudo num CD que roda em toca-DVDs comuns (ideal para presentear a família).Como um todo, o Photoshop Elements 6 é excelente - só o organizador, infelizmente, deixa a desejar. O preço, em torno de R$ 300, é um pouco alto. É mais negócio comprar o pacote promocional, de R$ 460, que inclui também o sensacional editor de vídeo Premiere Elements (semiprofissional).É um bom dinheiro, claro. Mas, para o amador que gosta muito de editar fotos (e vídeos), não há nada melhor.

Mostra de cinema no tempo do YouTube

O maior evento da área no País começa sexta alinhado à era digital

Marcel R. Goto

A menos de uma semana do início de sua 31ª edição, o quartel-general da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vive o típico frenesi da véspera dos grandes eventos.A complicada logística por trás das mais de mil sessões de quatrocentos curtas e longa-metragens não abandona seus organizadores, o casal Leon Cakoff e Renata de Almeida, nem durante uma breve entrevista sobre como as tecnologias de informação transformaram a produção do evento ao longo do tempo. Não se deixe enganar pelo aspecto pacífico da foto: enquanto posava, Cakoff tinha o celular ligado em viva-voz sobre a mesa e discutia calorosamente uma das inúmeras questões burocráticas da Mostra.À primeira menção da internet, no início da entrevista, ele responde com satisfação: “Somos pioneiros, nosso site, www.mostra.org, precede até a regularização da internet no Brasil”. Mais do que um informativo do evento, o sítio, como Cakoff faz questão de chamar, transformou-se numa referência sobre cinema na web brasileira. Todos os filmes já exibidos nos 30 anos da Mostra estão catalogados lá, e esses arquivos, mais o jornal do site, que tem 50 mil assinantes, fizeram com que ele fosse eleito pela revista Info como o melhor endereço online sobre cinema do país. Este ano, o site exibirá vídeos dos debates e trailers dos filmes exibidos.Renata conta uma interessante anedota sobre o envolvimento da internet com a Mostra. Enquanto escolhia obras de Claude Lelouch para uma seleção especial, amigos franceses lhe indicaram o curta C'était un Rendez-Vous, de 1976, que foi recentemente remasterizado e estava disponível no YouTube com a bênção do diretor.No filme, o próprio Lelouche dirige veloz e um tanto irresponsavelmente pelas ruas de Paris, passando por diversos marcos e sinais vermelhos, com uma câmera especial acoplada à frente do carro. Foi a primeira avaliação online de um filme para a Mostra, e Rendez-Vous será exibido em cópia de 35mm.Ela indica ainda outros filmes com forte relação com a tecnologia digital, como Tracey Fragments, que usa técnicas de composição praticamente impossíveis de serem reproduzidas em filmes tradicionais, e Braid Upon the Brain, de Guy Maddin, que usa filtros digitais para reconstituir a aparência dos filmes dos anos 20. Quando questionada sobre a possibilidade de uma versão online da Mostra, Renata explica que o evento permanece fiel a certas tradições: “Pra nós o cinema é uma experiência social. Tudo faz parte: sair de casa, o caminho, a fila, sentar ao lado de pessoas que você não conhece e compartilhar a sala escura”.E quanto à possibilidade de exibir filmes que evitam o circuito das salas de cinema e existem apenas na web? “Um dos critérios de seleção é que a obra seja inédita em São Paulo. Se está na internet, consideramos que não é inédito”. Mas os critérios podem ser revistos no futuro, diz.Um jornal emoldurado no escritório da Mostra, como uma instalação de arte, talvez seja o melhor símbolo da relação do evento e seus organizadores com a tecnologia. Trata-se da manchete da derrota do enxadrista russo Kasparov pelo computador Deep Blue, estampada na capa do Libération, jornal francês progressista fundado por Sartre. A internet e a revolução digital, longe de ditarem regras, são vistas sempre pelo olhar da arte e outras tradições das humanidades. E Leon Cakoff, como comenta Renata, ainda não se convenceu a usar seu iPod...

(SERVIÇO)A Mostra Internacional de Cinema de SP vai de 19 de outubro a 1º de novembro.

domingo, 14 de outubro de 2007

Chávez cria

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

14/10/07

Chávez cria Hollywood bolivariana para promover revolução

Primeiro filme rodado no pólo cinematográfico criado pelo presidente venezuelano narra saga de herói da independência"Miranda Regressa" teve orçamento de US$ 2,3 mi e première de gala; outros 19 projetos estão em produção ou acabam de ser concluídos

Howard Yanes-11.out.2007/Associated Press

A première de "Miranda Regressa", que teve Chávez e o equatoriano Rafael Correa na platéia

FABIANO MAISONNAVE
DE CARACAS

O slogan da Fundação Villa del Cine anuncia sem pudores: "Luzes, câmera, revolução". Criado pelo presidente Hugo Chávez para combater "a ditadura de Hollywood", o estúdio de cinema estatal venezuelano enfrenta neste fim de semana a sua primeira grande batalha, com a estréia da superprodução "Miranda Regressa".O ambicioso longa sobre a vida do herói da independência Francisco de Miranda (1750-1816) é a primeira das 19 produções recém-concluídas ou em andamento da Villa del Cine a estrear em circuito comercial. Com 140 minutos de duração e orçamento de US$ 2,32 milhões, o filme foi rodado na Venezuela, em Cuba e na República Tcheca e conta com uma pequena participação do astro norte-americano Danny Glover, um fã declarado de Chávez.A maior parte parte das filmagens foi realizada na própria sede da fundação, que mantém um complexo com dois estúdios na cidade de Guarenas, na Grande Caracas. Trabalham ali cerca de 1.500 pessoas, quase todas de cooperativas vizinhas, responsáveis por áreas como figurino e carpintaria."A Villa preenche um espaço que ninguém ocupava", disse à Folha o diretor de "Miranda Regressa", Luis Alberto Lamata, considerado um dos mais importantes do país. "O cinema venezuelano tem sido feito por nós, cineastas, em alguns casos com o apoio de outras instituições do Estado ou com o dinheiro que se conseguir. A Villa possibilita que se faça um trabalho por encargo."Mesmo antes de sua estréia nas telas, a Villa, inaugurada no ano passado, tem atraído várias personalidades interessadas na experiência chavista. Já visitaram os estúdios os atores hollywoodianos Kevin Spacey e Sean Penn, além de Glover, que planeja desenvolver ali um controvertido projeto de US$ 18 milhões -prometidos a ele por Chávez- para filmar a história da independência haitiana.Para a première, o local escolhido foi o Teatro da Academia Militar. Diante de uma platéia que misturava atrizes com decotes ousados, dezenas de cadetes uniformizados, jornalistas, entre os quais a reportagem da Folha, e o colega equatoriano, Rafael Correa, Chávez defendeu o cinema estatal."Não há revolução sem cultura se não retomamos nossos valores, se não dizemos basta aos antivalores, ao veneno imperial. Começamos a resgatar esses valores, usando a mina interminável de nossa história", discursou antes da projeção, na quinta-feira à noite.Levando em conta a pouca tradição cinematográfica venezuelana, a qualidade técnica do filme surpreende. Mas a trama é desconexa e se resume a mostrar, de forma laudatória, vários episódios da rica trajetória de Miranda -ele também lutou na Revolução Francesa e na independência americana."É uma cátedra de história com pouquíssima paixão, um olhar de longe e de baixo. Miranda está no pedestal", diz Robert Gómez, editor de cultura do jornal "El Universal". Ele aposta que o filme não cativará o público venezuelano.Além de "Miranda Regressa", a Villa deve terminar nos próximos meses pelo menos outros seis longas, entre os quais "Bambi C-4", sobre o terrorista cubano Luis Posada Carriles, que vive em liberdade nos EUA apesar do pedido venezuelano de extradição.Para que a empreitada nas telas tenha êxito, o governo Chávez criou ainda a empresa distribuidora Amazonia Films e está construindo uma rede de cinemas estatais em regiões do país onde não existem salas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Projeto distribui ingressos gratuitos no interior de SP

Flávia Guerra

Para aumentar a freqüência e diminuir as estatísticas que dizem que o público brasileiro ainda vê poucos filmes brasileiros no cinema, surge uma tentativa: o programa Vá ao Cinema. Lançada oficialmente ontem pelo secretário de Estado da Cultura, João Sayad, a iniciativa vai distribuir gratuitamente 150 mil ingressos de cinema em 15 cidades do interior paulista. Nesta primeira fase, que compreende o mês de outubro, cada uma das cidades receberá 15 mil vale-ingressos, que valerão somente para assistir a filmes nacionais inéditos nas cidades.A distribuição será feita por monitores contratados pela empresa Sodexho, responsável pela emissão dos ingressos. Esses monitores terão a tarefa de visitar escolas de cada uma das cidades e explicar aos alunos como funciona o projeto, que representa investimento de R$ 1 milhão em seus dois primeiros meses e a distribuição de 300 mil ingressos (para os meses de outubro e novembro).As primeiras cidades contempladas são Araras, Jacareí, Jundiaí, Indaiatuba, Taubaté, Santa Bárbara d’Oeste, São José dos Campos, Santos, Praia Grande, Barueri, Amparo, Araraquara, Jaú, Mogi Guaçu e Mogi Mirim.Para 2008, os investimentos previstos são de R$ 7 milhões e distribuição de 2 milhões de ingressos. Mais que aumentar a freqüência atual do brasileiro no cinema, o projeto visa à formação de público.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Um roteiro de sucesso

A história do Grupo Severiano Ribeiro traduz a evolução do cinema no Brasil do glamour à era digital

ELIANE LOBATO

Não tinha pipoca. Nem refrigerante. Homens e mulheres usavam chapéus – o que devia atrapalhar bastante o espectador da fila de trás. Mas o ambiente refinado permitia, ou melhor, exigia o requinte. Cheiro de tabaco e perfume francês eram aromas comuns entre as centenas de pessoas que formavam a platéia de filmes como Acorrentada, com Clark Gable e Joan Crawford – primeiro filme sonoro exibido no Rio de Janeiro –, na década de 30.

O luxo era tanto que o porteiro e os lanterninhas vestiam uniformes de acordo com o enredo do filme. Cinema era a melhor diversão, como ainda é hoje. Mas havia uma solenidade que, definitivamente, o vento levou. Será lançado em meados deste mês o livro 90 anos de cinema (Record), com texto de Toninho Vaz e pesquisa de Vinícius Chiappeta Braga, que relata a trajetória das nove décadas do Grupo Severiano Ribeiro, do cinema mudo à tecnologia digital, enquanto rememora clássicos cinematográficos internacionais e da chanchada brasileira.

PIONEIRISMO

Acorrentada foi o primeiro filme sonoro exibido no Rio, na sala do Cine Palácio
A obra ganhou uma versão capa dura distribuída para amigos e familiares de Luiz Severiano Ribeiro (1885-1974), o fundador do império. Mas será comercializada apenas em forma de brochura. As fotos, do acervo da Atlântida, mostram o esplendor dos templos de cinema e os ídolos da telona. Entre as imagens raras, há o incêndio do Cine Majestic, na década de 60, em Fortaleza, que ardeu em chamas como se fosse um efeito especial. A foto tem como legenda a frase certa: “Até o incêndio no Cine Majestic foi espetacular.” Através das salas da cadeia Severiano, os filmes é que incendiavam a cabeça dos telespectadores. Quem foi platéia na década de 40 não escapou do frisson gerado pela tensão do mestre Alfred Hitchcock em O sabotador, ou deixou de se encantar com clássicos do neo-realismo italiano como Roma, cidade aberta, dirigido por Roberto Rossellini. Severiano Ribeiro disputava o mercado com um de seus primeiros fortes concorrentes, o Janja, um empresário que entrou e saiu rapidamente do mercado. “Guerra é guerra”, dizia o patriarca. Bons tempos em que a competição refletia a busca de filmes de qualidade.

Foi no Nordeste que Severiano Ribeiro nasceu e deu início à cadeia no ramo do entretenimento. Mas a distribuição de filmes estrangeiros para a região sempre atrasava. Ele, então, criou uma empresa para a locação de filmes internacionais e, ao mesmo tempo, partiu para a expansão dos negócios na capital federal, o Rio de Janeiro. Foi hostilizado. “Luiz Severiano Ribeiro é apenas o ‘Lampeão’ do Norte que vive amarrado a exhibir films (sic) velhos. No Rio, o perigo é do seu bando. ‘Corisco’ e outros”, escreveu a revista Cinearte, na década de 20. Quanto mais o empresário avançava – associando-se a gigantes como a americana Metro e mantendo contato com gente importante como o magnata das comunicações Assis Chateaubriand –, mais irritava os concorrentes. O trust criado no Nordeste com ameaça de monopólio elevava sua imagem à de um competidor selvagem. O biógrafo Toninho Vaz resume diferente: “Severiano Ribeiro foi um batalhador voltado para o progresso, mas acompanhava seus negócios como um típico dono de botequim.”

Atualmente, o grupo Severiano Ribeiro possui 207 salas de cinema em 14 cidades do País, entre os quais o charmoso Roxy, em Copacabana, no Rio. Ou, ainda, as luxuosas salas com a marca Kinoplex, em São Paulo, ou na Praia da Costa, no Espírito Santo. Além da história no livro, está previsto o lançamento de filmes do acervo da Atlântida em DVDs. Está chegando às lojas o documentário Esse é Carlos Manga”, diretor da Atlântida que lembra de apenas uma restrição imposta na época: “Estávamos proibidos de namorar qualquer atriz.” Outros tempos.

domingo, 2 de setembro de 2007

Estréia programa filmado por celulares

*Fonte: Jornal Estado de São Paulo - http://txt.estado.com.br/editorias/2007/09/02/index.xml

Estréia às 21h45 desta terça-feira, dia 4, o programa Retrato Celular, no Multishow. Composto por oito episódios e dirigido por Andrucha Waddington, o show mostra o universo de 34 pessoas entre 21 e 30 anos. O barato do programa é que cada um deles filmou a sua vida por meio de um telefone celular.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Argentino investe no cinema brasileiro

Fundo criado por Eduardo Constantini financiará produções brasileiras

Alberto Komatsu

Acostumado a investir em empresas como Unibanco, Telmex e Bradesco quando administrava recursos no mercado financeiro, o argentino Eduardo Costantini Jr., filho do dono do Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (Malba), vai aplicar até US$ 10 milhões na produção e distribuição de filmes no Brasil. Para isso, criou, há um ano e meio, a The Latin America Film Company (TLAFC), fundo com US$ 25 milhões para promover o mercado cinematográfico latino-americano, nos próximos cinco anos.

Um dos objetivos da minha viagem ao Brasil é encontrar um investidor brasileiro para ser parceiro do fundo. Estamos conversando com quatro possíveis sócios”, diz Costantini, de 31 anos, torcedor fanático do time de futebol Boca Juniors. O TLAFC é integrado atualmente pela Costantini Films e pelo estúdio The Weinstein Company (ex-Miramax Films, que produziu ou distribuiu filmes como Pulp Fiction, Meu Pé Esquerdo e Kill Bill), com investidores do México, Espanha, Argentina e Estados Unidos.

Costantini, que já foi diretor-executivo do Malba, também está no Brasil para a estréia do filme em que investiu US$ 2 milhões: Tropa de Elite, exibido ontem no Festival do Rio. O executivo, leitor de Clarice Lispector e fã de Caetano Veloso e Maria Bethânia, acredita em um retorno sobre o investimento de 25%, mesmo após o longa-metragem ter “vazado”, em cópias piratas, em bancas de ambulantes das principais cidades do País.

No total, o investimento na produção do filme Tropa de Elite foi de US$ 4,5 milhões. O investimento foi feito em conjunto com a Universal Pictures Brasil. A estimativa de público do longa-metragem, segundo Costantini, é de 1 milhão de espectadores. Segundo ele, formado em administração de empresas, economia e cinema, a Universal vai distribuir 150 cópias do filme em todo o País.

“O problema do cinema no Brasil é que ele está sendo financiado somente por empresas que podem usufruir de benefícios fiscais. Não há investimento direto. E é isso justamente o que tento fazer, não depender de incentivos fiscais. Aproveitamos quando ele existe, mas que não seja a única fonte de recursos”, diz Constantini. Ele trabalhou com seu pai por oito anos no Costantini Group, que administra cerca de US$ 1 bilhão em fundos de investimento no mercado financeiro e imobiliário.
Antes de Tropa de Elite, a TLAFC já havia investido para ter todos os direitos de distribuição na América Latina do filme A Rainha, que deu a Helen Mirren o oscar de melhor atriz. O fundo também comprou os direitos de distribuição do longa-metragem argentino Crónica de una Fuga para os EUA, Espanha, Austrália e Nova Zelândia. Ao todo, a TLAFC pretende produzir ou distribuir em torno de 15 filmes na América Latina nos próximos cinco anos.“

A economia brasileira atravessa um bom e momento, com estabilidade e crescimento. É sempre melhor investir em um ambiente com essas características. Mas o retorno do fundo não depende apenas da economia de um país. O que mais conta é o desempenho de um filme internacionalmente”, diz Costantini, jogador de futebol e tênis nas horas vagas.

Além de produzir filmes, o fundo também pretende distribuir longa-metragens estrangeiros na América Latina, especialmente na Argentina, no Brasil e no México, países que concentram 80% da produção de filmes na região, estima Costantini. De acordo com ele, esses três países também respondem por 80% do faturamento das bilheterias latino-americanas.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Estúdios em Criciúma e na Capital

Para iniciar o processo de instalação de uma filial brasileira em Santa Catarina, o empresário americano Bruce Lipnick, da Sunshine Entertainment Group, esteve esta semana no Estado. O investidor tem um orçamento inicial de U$ 5 milhões para aplicar em Santa Catarina e metade deste valor vai custear a produção da comédia romântica “The Heart Breaker”, com direção do criciumense Roberto Carminati.

ProjetosO Sunshine Entertainment Group poderá produzir também filmes sobre a cultura de Santa CatarinaInicialmente, está prevista a construção de estúdios em Criciúma e Florianópolis. No Sapiens Parque, na capital, será instalado um laboratório de computação gráfica. A vinda dos produtores estroficial do governador Luiz Henrique da Silveira aos Estados Unidos, onde a comitiva foi recebida em abril por Lipnick em seu escritório de Manhattan.Conforme Lipnik, há outros três roteiros sendo estudados para realização de um próximo longa-metragem no Estado. Segundo o empresário americano, a Sunshine poderia instalar uma sede na Índia, onde também é baixo o custo de produção, mas diz que optou por Santa Catarina porque o Estado tem potencialidades de locações e de recursos humanos.Segundo o brasileiro Francisco das Chagas, vice-presidente da Sunshine, a empresa poderá produzir também filmes com temáticas da cultura catarinense. Chagas diz que não há um critério restritivo de gênero na escolha dos roteiros e que a empresa só não investe em pornografia.Luiza Lins, presidente da Cinemateca Catarinense vê com bons olhos a produção de filmes estrangeiros no Estado. Ela avalia que o governo está cumprindo o compromisso do edital de cinema do Estado, que estimula a produção catarinense, e que a parceria com a Sunshine poderá ampliar o mercado e ajudar na profissionalização de técnicos.

Vagas abertas
Profissionais catarinenses de cinema interessados em trabalhar na produção de “The Heart Breaker” podem enviar o currículo para os e-mailsericoginez@grupoinfocus.com.br com com cópia para rcarminati@gmail.com.

Produção:
Gerente de produção
Coordenador de produção
Contador
Advogado
Continuista
Assistente de diretor
Operador de câmera
Assistente de câmera
Eletricista
Maquinista
Assistente de cenógrafo
Maquiadores
Cabeleireiros
Assistente de produtor de arte
Contra-regra
Figurinista assistente
Camareiro
Assistente de produção

PÓS-PRODUÇÃO
Editor
Assistente de Editor
Captação de som
Editor de Som
Engenheiro de mixagem
Artista 2D (Flame, After Effects, Shake, outros)
Artista 3D (Studio Max, Softimage, Maya, outros)

Arrasa corações em SC

Data: 18 de julho de 2007
Fonte: Jornal A notícia

Parceria com empresa americana viabiliza produção de filme

Jéferson Lima
Florianópolis

Uma comédia romântica com atores americanos e técnicos catarinenses vai ser rodada em Santa Catarina a partir de outubro e com estréia prevista para o primeiro semestre do próximo ano. Com direção do criciumense Roberto Carminati, a produção do filme está recebendo currículos de técnicos de Santa Catarina interessados em participar do projeto (confira o quadro). A realização do filme foi viabilizada por meio de uma parceria do governo do Estado com a Sunshine Entertainment Group, que atua na área cultural, e instalará uma filial no Estado.Segundo o secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Gilmar Knaesel, Santa Catarina vai participar com uma contrapartida de R$ 1,2 milhão via lei de incentivo do Fundo de Turismo, porque uma das propostas do projeto é divulgar o Estado por meio do cinema. Carminati, que já trabalhou em três longas e dirigiu o curta “Fronteira”, sobre a imigração de brasileiros para os Estados Unidos via México, diz que o participação de catarinenses no filme poderá chegar a 80% da equipe técnica. “O filme”Fronteira” serviu de referência para a novela “América” da rede Globo, que teve a participação de Carminati como um dos diretores.Com o título “The Heart Breaker” (“O Arrasa Corações”), a comédia romântica que será rodada em Santa Catarina deverá ter locações em Florianópolis e Balneário Camboriú, entre outras cidades. O filme conta a história de um sujeito namorador, que não se apaixona por nenhuma das garotas que conhece, até que descobre a mulher de sua vida. Conforme Carminati, os atores serão americanos e ainda não estão definidos. Mas, poderá ser a brasileira Giovana Antonelli a atriz que interpretará o papel principal.“The Heart Breaker” é uma história ambientada em Nova York com a maior parte das imagens captada em Santa Catarina. O maior estímulo para produzir cinema fora dos Estados Unidos é a drástica a diminuição de custos. O filme americano “Sete Anos no Tibet” foi rodado na Argentina. O aclamado “O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee, teve a maior parte das cenas rodada no Canadá com um custo final de U$ 12 milhões. “Se fosse filmado nos Estados Unidos teria um custo de U$ 40 milhões”, revela Carminati.

jeferson.lima@an.com.br