sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Rapidinhas

ABCA promove o Dia Internacional da Animação

A Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) promove mais uma vez o Dia Internacional da Animação, evento que acontece na próxima quinta-feira, 28 de outubro, simultaneamente em mais de 30 países. No Brasil, haverá a exibição de 11 curtas de animação selecionados, além de atividades como mostras infantis, oficinas e debates, todas com entrada gratuita. O evento, que cobre todos os estados do país, conta com 400 municípios participantes, e a programação pode ser conferida em www.diadanimacao.com.br.

Tropa 2 já é o maior da retomada

Com os resultados de bilheteria da terça-feira, Tropa de elite 2 já passou da marca de 6,3 milhões de espectadores, superando os números de Se eu fosse você 2 para se tornar o filme com maior público da era da retomada do cinema brasileiro. A renda do filme agora se aproxima de R$ 60 milhões, patamar que será alcançado já nesta quarta-feira. Tropa 2 está em sua terceira semana de exibição, em cartaz em 700 salas do país.

Prazo para PAR-RJ e PEEC-RJ termina hoje

Termina nesta quarta-feira, dia 27, o prazo de inscrições para o Prêmio Adicional de Renda (PAR) e para o Programa de Estímulo à Exibição de Cinema (PEEC) promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro. As duas iniciativas, voltadas para distribuidores e exibidores fluminenses, vão injetar R$ 1,6 milhão no setor – R$ 800 mil em cada categoria. Podem concorrer empresas distribuidoras com sede no estado do Rio de Janeiro e complexos com até duas salas de exibição. As inscrições podem ser realizadas no site www.sec.rj.gov.br.

Começa pré-venda de Harry Potter

Os grupos Severiano Ribeiro e UCI já começaram a pré-venda de ingressos para o filme Harry Potter e as relíquias da morte – Parte 1, penúltimo filme da saga do jovem bruxo inglês, que entra em cartaz no dia 19 de novembro. As compras podem ser feitas nas bilheterias dos cinemas ou nos sites www.kinoplex.com.br e www.ucicinemas.com.br. As vendas na rede Cinemark começam na próxima sexta-feira, 29 de outubro, nas bilheterias e pela internet, através do site www.cinemark.com.br.

Mostra de SP exibe filmes online

Dando continuidade à experiência pioneira inaugurada na última edição, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai disponibilizar um conjunto de filmes para exibição via streaming na internet. Uma parceria entre a Mostra e o site Mubi permite que o internauta de qualquer lugar do Brasil assista a 35 longas e 13 curtas, com legendas em português, no site oficial do evento (www.mostra.org). O streaming gratuito roda em todas as plataformas e estará disponível para os 500 primeiros acessos. O primeiro título da programação online é Os amores de um zumbi, produção haitiana de 2009. Outros destaques são Cultures of Resistance, da brasileira Iara Lee, e Factótum, de Bent Hammer – que terá outros três filmes disponibilizados.

A doce vida ganha restauração

O cineasta Martin Scorsese confirmou presença no Festival de Roma, onde vai apresentar uma versão restaurada de A doce vida, de Federico Fellini. A restauração do filme é mais um projeto da Film Foundation, fundação de Scorsese sem fins lucrativos destinada à preservação de filmes. A exibição do filme será no dia 30 de outubro, no auditório Parco della Musica, em Roma. O festival também celebra Fellini com a exibição de Labirinto Fellini, um apanhado de materiais raros, fotografias, desenhos e sets de filmagem do diretor. A quinta edição do Festival de Roma ocorre de 28 de outubro a 5 de novembro.

Astros e estrelas ganha nova edição

Antônio Leão da Silva Neto, autor do Dicionário de filmes brasileiros, lança nesta quinta-feira, 28 de outubro, em São Paulo, uma nova edição do livro Astros e estrelas do cinema brasileiro, também pela coleção Aplauso. Publicado originalmente em 1998, a nova edição traz 1.146 novas biografias, totalizando 2.547 verbetes, incluindo agora a filmografia de curta-metragem dos atores. O lançamento da nova edição acontece durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no centro de convenções do shopping Frei Caneca.

Cinema como negócio é tema de livro

Será lançado na próxima quarta-feira, 27 de outubro, às 19h30, no Cine Glória, no Rio, o livro Film Business - O negócio do cinema, que tem como autores Iafa Britz (produtora de Nosso lar), Rodrigo Saturnino Braga (diretor geral da Sony/Disney no Brasil) e Luiz Gonzaga de Luca (ex-diretor do GSR e grande especialista em cinema digital). O livro é uma publicação das editoras Campus e Elsevier.

Convênio oferece cursos no Rio

A Secretaria de Estado de Cultura (SEC) do RJ e a RioFilme estabeleceram um acordo de cooperação institucional para uma série de cursos de formação de profissionais do audiovisual. O acordo também conta com a parceria do Senai, Sesi, Sicav (Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio), STIC (Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual) e da Rio Film Commission. Já em novembro será oferecido o curso de eletricista. Ao longo de 2011, estão programados os cursos de maquinista, design de som e animação digital, entre outros. As inscrições podem ser realizadas de 25 de outubro a 3 de novembro na sede do Senai de Laranjeiras, no Rio. Mais informações podem ser encontradas no site www.firjan.org.br e no telefone 0800 0231 231.

ShoWest

Publicado em abril de 2010 – Revista Filme B - Edição Especial - Show de Inverno

Por Pedro Butcher e Paulo Sérgio Almeida


A Filme B visitou a maior convenção de cinema dos Estados Unidos, em Las Vegas, onde o futuro da indústria do cinema está em jogo.

LAS VEGAS, EUA – Robert Bagby, veterano exibidor americano com mais de 30 anos de experiência, resumiu assim o atual estado do mercado cinematográfico nos EUA: “Este é o momento mais intenso e incomum que já presenciei neste negócio. Mas os problemas são ótimos, estimulantes”, disse ele, em entrevista ao jornal Los Angeles Times.

Bagby referia-se, é claro, à revolução digital e à febre do 3D, temas dominantes do último ShoWest, que se realizou em Las Vegas entre 15 e 18 de março. Frequentadores da maior convenção de cinema dos Estados Unidos foram unânimes em defini-la como a mais movimentada dos últimos anos. As sessões especiais dos filmes da próxima temporada de férias – com destaque para Toy Story 3, Shrek para sempre, Príncipe da Pérsia e Karate Kid –, bem como as apresentações dos estúdios, só reforçaram o clima de entusiasmo: “Nunca vi os exibidores tão excitados”, afirmou Luiz Severiano Ribeiro, do GSR, um dos representantes do Brasil presentes no evento.

Como ficou claro no ShoWest, depois de anos de grande estabilidade tanto do ponto de vista estrutural como das possibilidades de negócio, a exibição de filmes em tela grande atravessa um período de mudanças radicais e irreversíveis. Diante do desembarque da tecnologia digital nos cinemas – mas já de olho na chegada dos aparelhos de Blu-ray e das TVs 3D às lojas –, os executivos precisam tomar decisões cada vez mais complexas envolvendo difíceis apostas. As perguntas são muitas. Qual a melhor tecnologia de projeção: 2K ou 4K? Que sistema 3D deve ser adotado? Quais os melhores projetores e servidores?

Entre as várias possibilidades que se apresentam, algumas tendências são evidentes. A primeira delas é o 3D digital. Depois de idas e vindas, a tecnologia chegou para ficar e tem tudo para ser um divisor de águas. Com o sucesso de Avatar e Alice no país das maravilhas, a corrida dos exibidores para equipar suas salas foi tanta que os fabricantes de projetores e de telas prateadas não estão dando conta dos pedidos, com muitas encomendas prometidas apenas para o segundo semestre.

“Com a demanda aquecida e o atraso do lançamento da segunda série dos projetores – já compatível com o sistema 4K e com incrementos no sistema de segurança –, os pedidos de janeiro serão entregues em junho e os de fevereiro, em setembro. Ou seja: os exibidores precisam planejar seus pedidos já pensando no Natal”, afirma Isaac Besso, da Transisom, empresa especializada na infraestrutura das salas.

Mas o que garante que o 3D veio para ficar? “Desde Avatar não há mais volta, a demanda do mercado é evidente”, afirmou Michael Lewis, presidente da Real D, líder do segmento 3D, no ShoWest. Na apresentação da Warner, o presidente do estúdio, Alan Horn, anunciou que todas as grandes produções serão feitas em 3D ou convertidas para o formato. A Fox também divulgou que apenas os filmes de sua divisão de filmes de arte, a Fox Searchlight, não serão em 3D. Há mais tempo, DreamWorks Animation e Pixar já haviam definido que suas animações serão todas em 3D. Ou seja: a adesão dos estúdios é total.



Telas gigantes são forte tendência

Além do 3D, mais uma forte tendência que se pôde ver no ShoWest foi a projeção em tela gigante – outra maneira de diferenciar a experiência cinematográfica do home entertainment e de cobrar ingressos premium. No ano passado, a IMAX, empresa pioneira do formato, flexibilizou o padrão do tamanho de suas telas e introduziu a possibilidade da projeção digital, ampliando seu circuito principalmente no mercado internacional. Apesar de ter sofrido críticas, a resposta do público foi positiva, com resultados ainda mais impressionantes que os do 3D. Alguns exibidores seguiram a onda e lançaram formatos próprios de projeção em tela gigante. A Cinemark é um exemplo: a empresa já inaugurou, inclusive no Brasil (no complexo de Osasco, em São Paulo), as salas X-D (Extreme Digital Cinema), com tela maior que o normal e preços diferenciados.

A opção pelas telas gigantes acaba somando pontos para a tecnologia 4K, de presença ainda tímida no mercado americano, mas que, pelo que se soube no ShoWest, deverá crescer já a partir deste ano. Até há pouco tempo, os principais exibidores pareciam preferir o sistema 2K, que atende ao padrão mínimo exigido pelos estúdios para a projeção digital. Durante o ShoWest, porém, AMC e Regal, líderes da exibição nos EUA, anunciaram que adotarão o sistema de altíssima definição desenvolvido pela Sony.

Maior vantagem do 4K é competitiva

Segundo Amy Myles, diretora geral da Regal Entertainment, a empresa optou pelo 4K por ele oferecer “a melhor resolução de imagem possível”. A nota oficial da Sony explica que a definição de seu sistema é “quatro vezes maior que a dos sistemas de projeção 2K e das televisões de alta definição”. Ou seja, sutilmente, a nota afirma que a qualidade do 2K não está muito longe daquela de uma TV de última geração. Na opinião de analistas do mercado, o 4K dará à AMC e à Regal maior vantagem competitiva na hora de vender o novo produto, que, além de tudo, também é mais adequado para exibição em telas gigantes.
O 4K, porém, também é alvo de algumas críticas. Há exibidores que consideram a definição 2K satisfatória para a experiência do espectador, e o 4K, supérfluo. Outros argumentam que a tecnologia da Sony não teria a mesma capacidade de manter a vivacidade da imagem do chip 2K, que se utiliza de microespelhos. Durante algum tempo, também, apenas o 2K era capaz de produzir o efeito 3D, o que tinha deixado a Sony para trás. Mas esse quadro se reverteu.




Real D lidera mercado de 3D

A “virada” a favor do 4K terá outra importante consequência no mercado, pois deve reforçar a presença da Real D, tecnologia 3D dominante no mundo até agora, com 85% de market share na América do Norte e cinco mil salas 3D no total (três mil delas nos EUA e Canadá). Pelo menos por enquanto, apenas a Real D oferece uma solução tecnológica para operar com a definição 4K. Ainda assim, a competição no mercado 3D continua altíssima.

Além da Real D, outros três sistemas de projeção 3D estão à disposição dos exibidores: o da empresa coreana MasterImage (que possui 500 salas no mundo, a maior parte no mercado asiático), o da X-Pand (2,5 mil salas espalhadas principalmente pelo Japão, Coreia e alguns países da Europa), e o da Dolby (com 2,8 mil salas no mundo, boa parte na América Latina). No Brasil, a Cinemark trabalha com o sistema da Real D, mas todos os outros exibidores optaram pelo 3D da Dolby Digital. A opção pela Dolby teve como principal motivação a fuga dos altos custos da Real D. Todos os sistemas disponíveis são capazes de projetar filmes em 3D com qualidade semelhante – a principal diferença está no modelo de negócio que cada um oferece.

No caso da Real D, os exibidores precisam pagar uma licença anual pelo uso da tecnologia, que pode variar de US$ 5 mil a US$ 10 mil, dependendo do número de salas convertidas. Além disso, a empresa cobra uma participação na bilheteria de US$ 0,05 por ingresso vendido. A Real D também exige o uso da tela prateada, o que encarece ainda mais seu sistema. Em compensação, seus custos de instalação são menores. Dolby e X-Pand não exigem a substituição da tela, mas trabalham com óculos mais caros que os da Real D – e, por isso, recicláveis. No ShoWest, no entanto, a Real D anunciou que está testando o uso de óculos recicláveis, enquanto a Dolby afirmou que poderá adotar óculos descartáveis.

Nesta corrida, ainda sujeita a muitas reviravoltas, a Real D está na frente, e a Dolby, aparentemente, está ficando para trás – o que tem preocupado os exibidores brasileiros. Na verdade, o que deve garantir o futuro dessas empresas não é o 3D no cinema, que tem um limite de receita a partir do momento em que a transição digital se completar; o pote de ouro, na verdade, está na aplicação da tecnologia 3D para a televisão. Esse, por exemplo, é o verdadeiro foco da X-Pand, que já assinou acordos de licenciamento com vários fabricantes. O estande da empresa no ShoWest só confirmava isso: sua principal atração era uma TV 3D que mostrava o jogo de Avatar (ainda não disponibilizado no mercado neste formato). O mesmo vale para a Real D, que também já avançou neste terreno. A Dolby, porém, ainda não encontrou uma solução tecnológica para a TV 3D.

Transição digital avança nos EUA

A chegada da segunda série de projetores digitais da Dolby também apresentou uma limitação. No novo sistema, o servidor não é capaz de introduzir legendas na exibição do filme (caso se opte pela legendagem via servidor). No Brasil, isso ainda não é um problema, já que a preferência tem recaído na legendagem na cópia digital. De qualquer maneira, como solução provisória, a Dolby está oferecendo a possibilidade de usar o servidor Doremi para fins de legendagem, e, segundo Isaac Besso, essa questão já está perto de ser resolvida.

Se o sucesso do 3D garantiu o avanço da digitalização das salas em plena crise financeira, ainda que a passos miúdos, a transição digital nos EUA deve sofrer uma nova aceleração já a partir deste ano, na medida em que os problemas de crédito começam a ser superados. Recentemente, o Digital Cinema Implementation Partners (DCIP) – consórcio formado por AMC, Regal e Cinemark, três maiores grupos de exibição americanos – anunciou que, enfim, conseguiu levantar os US$ 660 milhões necessários para trocar, na íntegra, os projetores de suas salas. A digitalização completa de vários complexos deve proporcionar um novo boom de salas 3D nos EUA nos próximos dois anos (segundo estimativa da NATO, a associação nacional de exibidores dos EUA, até o fim de 2010 o mercado americano deve estar equipado com pelo menos sete mil salas 3D). O presidente da DreamWorks Animation, Jeffrey Katzenberg, que durante o ShoWest apresentou Shrek para sempre exclusivamente para os exibidores estrangeiros, lembrou que há três anos vem chamando atenção para a revolução do 3D, e frisou que a digitalização completa é muito mais vantajosa do que a compra de projetores isolados. “Com a digitalização integral dos circuitos, não é apenas uma sala por complexo que pode passar filmes em 3D, e sim três, quatro salas, pelo menos, por cinema”. É esse processo, justamente, que enfim está deslanchando nos EUA.

Ou seja: tudo indica que a substituição integral dos projetores 35mm por projetores digitais já está garantida para os grandes grupos de exibição americanos, enquanto as soluções para os pequenos e médios exibidores e para as realidades dos mercados internacionais ainda se encontram em um impasse – a ponto de a Technicolor ter apresentado, no ShoWest, uma solução provisória: com pequenas adaptações (lente e cópia especiais fornecidas pela empresa), qualquer projetor 35mm pode oferecer projeções em 3D. O sistema é considerado uma alternativa para se ampliar o circuito 3D enquanto ainda houver “gargalo”, mas apesar de ter recebido o apoio de quase todos os estúdios, a Disney ficou de fora, e muitos exibidores que investiram altas somas para converter suas salas para o digital são contra a adoção dessa solução.

O avanço da transição digital nos EUA poderá provocar uma grande mudança no atual panorama do mercado de cinema – a começar por uma possível concentração do setor de exibição nos EUA, com uma absorção dos pequenos e médios exibidores pelos grandes circuitos. Dependendo de como a transição digital ocorrer no restante do mundo, esse processo de concentração também pode se repetir em outros países.

Em segundo lugar, é bem possível que aconteça uma reversão de uma tendência que havia se firmado nos últimos anos, quando o faturamento dos estúdios nos mercados internacionais superou o doméstico em uma proporção que chegou a 70% para as rendas estrangeiras, contra 30% das bilheterias domésticas. Se a transição digital for mais lenta nos mercados internacionais do que nos EUA, como parece ser a tendência, a ampliação do número de salas 3D poderá dar um novo impulso ao mercado interno para os grandes blockbusters, invertendo esse quadro.

Em meio a tantas incertezas, no entanto, uma coisa é certa: diante de mais uma série de desafios econômicos e tecnológicos, o cinema está encontrando novos e surpreendentes caminhos de superação.

Seminário de exibição

Alice reacende debate sobre janela

Um dos destaques da programação do ShoWest 2010 foi o seminário voltado para os desafios e estratégias do setor da exibição, que contou com a participação de cinco executivos do ramo – entre eles o brasileiro Valmir Fernandes, presidente da Cinemark International. Conduzido por Elizabeth Guider, da Hollywood Reporter, o debate teve como foco os filmes 3D, o crescimento do conteúdo alternativo e a questão da janela de exibição – motivo de polêmica após a decisão da Disney de antecipar em algumas semanas o lançamento em DVD de Alice no país das maravilhas.
Sobre o “efeito Avatar”, Valmir Fernandes afirmou que a aventura de James Cameron se tornou um marco para o mercado latino-americano: “O filme abriu novas portas e levou o 3D para um novo patamar. Mesmo assim, o circuito 3D representa menos de 10% do total de salas”. Paul Heth, da Rising Star Media, que possui cinemas na Rússia, contou que Avatar atraiu espectadores que nunca tinham frequentado um cinema moderno no país.

A questão de uma possível diminuição da janela de filmes preocupa os exibidores. “No Brasil, a janela costuma ser de quatro meses e, em casos especiais, pode chegar a 90 dias. Não gosto da forma como os estúdios estão lidando com a questão e temo as consequências de se flexibilizar as janelas”, disse Valmir Fernandes.
Steve Wiener, da rede britânica Cineworld, se diz “realista” em relação à questão. “Sei que a janela vai encolher, mas precisamos ter cuidado. Reconheço também que precisamos ser flexíveis. No Reino Unido, por exemplo, a janela costuma ser de 17 semanas, o que cria problemas também para nós exibidores. Se um distribuidor estrear o filme em agosto, não conseguirá ter o filme em DVD no Natal. Então ele antecipa o lançamento para julho, o que causa uma sobrecarga no mês. É preciso ter bom senso”. Tom Stephenson, do grupo americano Rave Motion Pictures, disse que os esforços dos estúdios para antecipar a janela não estão necessariamente ligados ao DVD, um mercado em baixa. “Na verdade, é uma preparação para o futuro. O que está em jogo é o vídeo on demand. Temos uma geração que vai querer a opção de baixar o filme no mesmo dia em que estrear nos cinemas”. Paul Heth, da Rising Star Medias, foi categórico: “É fundamental tratar essa questão com cuidado. Não vamos prejudicar o setor da indústria que está indo bem”.

Antes visto com reticências pelos executivos, o conteúdo alternativo ganhou aceitação a partir de experiências positivas realizadas por vários grupos. Para Valmir Fernandes, é provável que os circuitos se transformem em centros de entretenimento. “Estamos fazendo algumas experiências nesse sentido”, disse. “Acho que temos grandes chances com shows exclusivos. E as vendas com bebidas e comida são bem melhores também”.Tom Stephenson, por fim, acredita que a emergência da transmissão de eventos esportivos em 3D será um marco nesta tendência.


Cinema com Nachos

Publicado em abril de 2010 – Revista Filme B - Edição Especial - Show de Inverno

Pedro Butcher e Fernando Veríssimo

A rede Cinépolis, maior grupo exibidor do México, inicia suas operações no Brasil

Em junho próximo, a rede de cinemas Cinépolis, do empresário mexicano Alejandro Ramírez, inaugura seu primeiro complexo no Brasil, na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Desde 1997, quando o primeiro grupo de exibição estrangeiro se instalou no país (a rede americana Cinemark), o mercado não vivia uma expectativa semelhante. E não é à toa: com mais de 2,2 mil telas, a Cinépolis está entre os cinco maiores grupos exibidores do mundo em número de salas.

No México, onde é líder absoluta de mercado, com 60% de market share, a rede está presente em 67 cidades e possui 224 cinemas. Ao todo, no país, são 2.124 telas – ou seja, um número bastante próximo do total de salas do circuito brasileiro.

Internacionalmente, a Cinépolis já opera em outros territórios da América Latina (Colômbia, Guatemala, Costa Rica, Panamá e El Salvador), mas, no ano passado, revelou planos de expansão mais intensos, com foco no Brasil e na Índia. O primeiro complexo do grupo na Índia, com quatro salas, começou a funcionar em dezembro do ano passado e, segundo a Variety, serão construídas 500 salas até 2016. Até dezembro de 2009, a Cinépolis já somava 12 complexos e 95 salas fora do México.

Por aqui, a empresa tem planos de abrir 290 salas até 2012 – o que já a posicionará como uma das maiores do mercado exibidor local. “O Brasil é um país com muito potencial no segmento da exibição cinematográfica”, diz Miguel Miers, executivo da companhia, que esteve presente no último Show Búzios. “Nossa estratégia será baseada nos mesmos princípios que aplicamos no México. Vamos usar o conhecimento já adquirido e adaptá-lo ao Brasil.”

O escritório da Cinépolis em São Paulo já funciona a todo o vapor, sob o comando do executivo Eduardo Acuna. “As possibilidades de crescimento do mercado de cinema aqui são imensas. O papel da Cinépolis é explorar esse potencial e crescer junto com o mercado brasileiro”, diz Acuna (leia entrevista completa a seguir).

ENTREVISTA Eduardo Acuna

Recentemente, a Cinépolis abriu seu primeiro complexo na Índia. Por que o grupo resolveu apostar no mercado internacional?
A Cinépolis é uma empresa que não tem capital aberto e não gosta de ter dívidas. Nossa política é reinvestir 90% dos lucros. Isso gera um crescimento exponencial. Crescemos no México até o mercado ficar saturado, e optamos então por fazer investimentos internacionais, começando pela Índia e pelo Brasil.

Por que o Brasil?
Porque o potencial do mercado de cinema aqui é imenso. O índice de habitantes por sala, quando comparado com outros mercados, como o mexicano e o americano, ainda é extremamente baixo. O papel da Cinépolis será explorar esse potencial e crescer junto com o mercado brasileiro.

E qual a meta da Cinépolis no mercado brasileiro?
A Cinépolis não chegou para ser líder, chegou para fazer negócios. A economia do país está crescendo e novos consumidores estão sendo incorporados. O cinema ainda é uma das formas de entretenimento mais baratas, mas a verdade é que ainda é acessível a poucos. Se a população tem mais renda, são grandes as chances de passar a frequentar as salas, o que representa um potencial gigantesco de expansão.

Por onde vão começar as operações e qual é a projeção do ritmo de crescimento da Cinépolis no Brasil?
Em 2010 vamos abrir 40 salas; em 2011, estão previstas 100 salas, e, em 2012, 150 salas. Para 2010, já temos cinco complexos certos. O primeiro, com oito salas, será inaugurado em julho, em Ribeirão Preto, no shopping Santa Úrsula. Na verdade, é um complexo que já existia, fechado desde 2008, e que passou por uma reforma completa para atender aos nossos padrões. O segundo será em Belém, com sete salas, previsto para agosto; o terceiro será em São Paulo, com nove salas, em setembro; o quarto, também em São Paulo, com oito salas, em outubro, e o quinto, em Salvador, terá seis salas, e deve abrir em novembro.

Existe algum motivo especial para começar as operações por Ribeirão Preto?
Não, foi uma questão de oportunidade. Nossa primeira prioridade no mercado brasileiro é aproveitar as oportunidades, que são muitas. Mas não vamos assinar projetos para ter participação de mercado. Gostamos de market share, mas gostamos mais de fazer bons negócios e de ter lucro.

Hoje existem pouco mais de duas mil salas no Brasil. Na sua avaliação, o país pode chegar a quantas salas exatamente?
Se compararmos com o número de habitantes por sala do México, o Brasil poderia chegar a seis mil salas. O México, com 100 milhões de habitantes, tem 4,5 mil salas; o Brasil, com quase 200 milhões, poderia ter seis mil. Mas são países que apresentam condições muito diferentes para o mercado. Com as atuais condições do Brasil, não conseguiremos chegar lá.

Os custos de construção de cinemas no Brasil são considerados altos. Esse fator não torna mais difícil a abertura de salas em cidades de médio e pequeno porte? E, no entanto, não é justamente nessas cidades onde há mais espaço para crescimento? O que é possível fazer para resolver essa equação?
Os custos para construção aqui não apenas dificultam – eles são proibitivos para operações em cidades pequenas e médias. No México, temos cinemas em cidades de menos de 100 mil habitantes que são perfeitamente viáveis. Aqui no Brasil, os investimentos são altos demais e ainda não existe como fazer um bom cinema com possibilidade de retorno nessas áreas. Algumas providências a curto prazo estão sendo tomadas, como a isenção do ICMS para importação de equipamentos, que existe no estado do Rio, mas ainda é muito pouco. É preciso sobretudo reduzir o IPI, que é altíssimo.

A Cinépolis está acostumada a trabalhar com complexos com mais de dez salas. Como será no Brasil, onde os exibidores preferem cinemas com cinco ou seis salas, em média?
Não existe um tamanho ideal de complexo – mas, de fato, o mercado brasileiro tem demonstrado preferência pela construção de novos cinemas com poucas salas, o que termina limitando o número de sessões, de filmes e de horários para o cliente. De maneira geral, preferimos trabalhar com complexos maiores por causa disso: eles oferecem um serviço melhor, com mais sessões e menos filas nos fins de semana.

No México, vocês também têm empreendimentos fora de shoppings. Esse modelo também será aplicado no Brasil?
É possível, mas ainda não temos nada nesse sentido. É preciso estudar melhor o mercado.

Na sua opinião, quais seriam as medidas mais urgentes para alavancar o crescimento nas cidades pequenas e médias?
Existem aqui três temas que consideramos bastante complexos: a meia-entrada, que não beneficia os estudantes realmente necessitados e prejudica a todos que não são estudantes; a questão do Ecad, que ajuda a tornar a operação do cinema muito cara no país; e os impostos – tanto os da operação do cinema como os da importação de equipamentos. Um cinema no Brasil está custando quase 80% mais que um cinema no México.

E você vê alguma perspectiva de avanço a curto prazo?
Na verdade, não. No momento, o Brasil não tem uma liderança capaz de fazer avançar essas questões.

Os custos trabalhistas do Brasil também são maiores que os do México. Eles também representam uma preocupação para vocês?
Com certeza. No Brasil, a questão fiscal e a questão trabalhista podem levar uma empresa a morrer se esses custos não forem muito bem planejados. A questão trabalhista é bem importante, estamos muito focados nesse aspecto.

Os complexos terão projetores 35mm ou serão totalmente digitais? Eles terão salas 3D?
Os cinemas terão projetores 35mm e pelo menos um projetor digital, para viabilizar exibições em 3D.

Como você vê a importância do 3D para o mercado?
No processo de transição digital, que é bastante complexo, o 3D é um novo produto que de fato está ajudando o mercado a crescer. Ter pelo menos uma sala 3D, hoje, é fundamental.

Qual será o diferencial da Cinépolis?
A Cinépolis tem produtos diferentes e um jeito diferente de fazer as coisas. Temos nosso próprio jeito de operar cinemas e vamos trazê-lo para o Brasil, esperando que tenha sucesso.

No México, a Cinépolis participa da coprodução de alguns filmes locais. Existe essa intenção no Brasil?
Sim. Tudo vai depender dos projetos. Não é nossa prioridade por enquanto, mas no futuro, se houver uma boa oportunidade, podemos sim coproduzir filmes no Brasil.


Universo em expansão

Com um ritmo de inaugurações se mantendo em torno de 100 salas por ano, o circuito brasileiro vem passando por uma renovação gradual e registrando um crescimento real lento nos últimos anos. A chegada da gigante Cinépolis ao mercado local, no entanto, é apenas um dos sinais de que os investimentos devem retornar aos índices do período do boom do multiplex no Brasil. As diversas fontes de financiamento disponíveis atualmente para o setor, aliada a um mercado aquecido pelo 3D, aos bons índices macroeconômicos e à expansão do conceito de shopping center para a inclusão das classes C e D já começa a render frutos: para o ano de 2010 está prevista a abertura de mais de 140 salas – e isso apenas em shoppings (a previsão é de que, nos próximos três anos, mais de 70 shoppings sejam inaugurados no país). Confira abaixo a lista de complexos das principais empresas exibidoras confirmados para este ano.

Em cartaz, o Brasil que vende: violência das favelas aprisiona produções nacionais

País ainda luta para se distanciar do gênero

Filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite levaram a violência das favelas brasileiras para as telas de cinema do mundo todo e foram sucessos de público — mas também parecem ter aprisionado as produções do país em um gênero do qual elas lutam para se distanciar, segundo afirmaram especialistas consultados pela Agência France Presse.

De acordo com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), o filme brasileiro de maior sucesso dentro do país de 1995 até 2009 foi a comédia Se Eu Fosse Você 2, lançada no ano passado e que atraiu 6.137.345 de pessoas às salas. Um número muito superior ao do mundialmente famoso Cidade de Deus (2002), em quinto lugar entre os mais vistos no país desde 1995, com 3.370.871 espectadores, ou ao de Tropa de Elite (2007), que ocupa a longínqua 11ª posição da tabela, com 2.417.754 espectadores.

Dirigido por Fernando Meirelles (de Ensaio Sobre a Cegueira), Cidade de Deus foi o responsável por impulsionar o consumo dessas histórias recheadas de violência e que têm como pano de fundo favelas brasileiras. Ele levou a estatueta de montagem do Bafta, o principal prêmio inglês, e foi indicado para quatro categorias do Oscar, além de fazer sucesso na seleção oficial de Cannes.

E, desde que começou a conquistar o exterior, esse gênero tornou-se a representação do Brasil para o resto do mundo, fazendo qualquer produção que não gire em torno do estereótipo violência-favela-pobreza sofrer para se destacar massivamente no mercado externo.

— Os temas que interessam ao mercado estrangeiro para o cinema feito no Brasil ainda são aqueles que reproduzem o noticiário mais comum sobre o país — esclarece Pedro Butcher, editor do site especializado em cinema Filme B, acrescentando ainda que "não podemos esperar de um país em que a miséria e a violência ainda são problemas graves um cinema que ignore essas questões".

Já para o cineasta Cacá Diegues — que lançou fora da competição oficial do Festival de Cannes deste ano o filme 5xFavela: Agora Por Nós Mesmos —, a culpa não é dos cineastas, mas dos espectadores:

— Lá fora, a imagem do Brasil já foi de samba, futebol, carnaval. Agora é favela. A imprensa estrangeira registrou isso e a favela se tornou um estigma, um desejo do público estrangeiro. Quem escolhe isso não somos nós.

A opinião é relativizada por Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, pesquisadora de cinema brasileiro contemporâneo e crítica.

— Essa relação é um pouco perversa, há um folclore por trás desse tema no Exterior, a pobreza é tratada como exótica, é como um zoológico humano — acredita Ivana.

O que não diminui a parcela de responsabilidade do Brasil na propagação deste gênero, seja devido aos lucros de mercado, seja em prol de uma melhora nas questões sociais, já que essas produções, incluídas na chamada "cosmética da fome", atraem o interesse do público, como completa a pesquisadora.

Crítico do jornal O Globo, André Miranda é reticente sobre o assunto:

— Não sei até que ponto alguém fez certo filme para vender ou pela arte. Mas não acho ruim fazer um filme pensando em vender, porque cinema também é produto. Acredito que atualmente são produzidos filmes desse gênero tanto porque são bem-sucedidos como porque é importante olhar para as classes mais pobres.

Atualmente, Butcher aposta no início de um desgaste dessa temática.

— Esse foi um fenômeno mais próximo do sucesso de Cidade de Deus — afirma, citando o novo filme de Diegues como exemplo de obra que "trouxe uma nova visão, 'fresca', para o assunto".

5xFavela: Agora Por Nós Mesmos tenta um enfoque diferente por meio do trabalho de cinco jovens diretores oriundos de favelas, que produziram curtas-metragens com seus pontos de vista sobre as comunidades onde vivem. Para Diegues, assim como é possível levar o tema favela com outras abordagens ao Exterior, o cinema brasileiro conseguirá provar seu potencial em produções de diferentes gêneros:

— O próximo passo é continuar mostrando a qualidade dos filmes do país, mostrar que o cinema nacional pode ser tudo, falar de qualquer tema, e não só favela.

COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA FRANCE PRESSE

"Os Simpsons" ganham toys em versão Halloween

Marca cria brinquedos inspirados nos habitantes de Springfield

A marca Kidrobot fez uma parceria com Matt Groening e criou a The Simpsons Mini Series 2. Trata-se da nova coleção de toys que traz, em versão Halloween, os habitantes mais engraçados da cidade de Springfield, com destaque especial para a família Simpson.



Esta série contará com 25 bonecos ao todo e está prevista para ser lançada nesta quinta-feira, 28.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Arnaldo Jabor está de volta aos cinemas depois de 20 anos, com A Suprema Felicidade. Confira entrevista com o cineasta e o elenco

Jayme Matarazzo é um dos atores que interpreta o personagem principal, Paulo. Fotos: Vantoen Jr/divulgação.
Jayme Matarazzo é um dos atores que interpreta o personagem principal, Paulo.
Fotos: Vantoen Jr/divulgação.

Foram quase 20 anos dedicados ao jornalismo e longe da direção de filmes, mas Arnaldo Jabor está de volta. Depois de dirigir premiados longas-metragens, como Toda Nudez Será Castigada (1973) e Eu sei que Vou te Amar (1984), A Suprema Felicidade, seu nono longa-metragem, estreia em 29 de outubro.

Fiu conferiro o filme na última segunda-feira, a convite da Paramount, e depois Arnaldo e parte do elenco falaram sobre o filme, que tentou disputar como filme brasileiro na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, mas perdeu para Lula, o Filho do Brasil.

A nova produção de Jabor começou a ser roteirizada por ele em 2007, levou três meses para filmar e sete para montar. A história, simples, se passa no pós-Segunda Guerra Mundial, em um começo de exultante felicidade, para depois adentrar nos conflitos e percalços vividos por diversos personagens.

- Não é um filme de malvados e bandidos. Essas coisas se misturam. É muito fácil fazer um longa com uma história só. Neste, são vários protagonistas. O que [o filme] quer dizer? Não sei. A obra de arte tem que ser misteriosa - comenta Arnaldo.

A princípio o foco é em Paulo, interpretado por Jayme Matarazzo e outros dois atores, e que traz no personagem muito da infância e adolescência de Jabor no Rio de Janeiro da metade do século 20. Os dramas familiares, as bebedeiras, os primeiros relacionamentos e os conflitos existenciais marcam a vida de Paulo, um típico adolescente de classe média.

- Eu achava que vida de classe média não tinha nada pra conta, mas ela é épica. Aconteceu muita coisa na minha vida e eu não tinha percebido. Gostei muito de fazer o roteiro do filme, que não é totalmente biográfico, mas uma reunião crítica, lírica e amarga do que eu vivi na minha adolescência. Falar sobre mim é uma maneira de falar sobre o Rio de Janeiro, o Brasil, a alegria, a felicidade, a vida. É um filme em que as minhas experiências foram aproveitadas cinematograficamente - comenta o diretor.

A Suprema Felicidade não respeita uma ordem cronológica específica, vai e volta no tempo, sendo que o personagem Paulo é interpretado por três atores, que intercalam suas cenas durante a trama.

- É um filme de cenas que vão se somando. Uma sucessão de curtas que vão se somando. Não tem como ter um único sentido, a vida tem vários sentidos e nem sempre tem um happy ending (final feliz). Não estou preocupado comercialmente. Pode ser (que o filme seja) um fracasso e pode ser um sucesso - diz o jornalista.

Durante as gravações do filme, Jabor e os atores trocavam ideias continuamente.

- Ele pegava cena por cena e explicava cada palavra, cada parte. A gente ia construindo as cenas com ele, para entender o que ele queria e dentro de qual universo. Ele nos dá o porquê daquela cena e como que ele a viveu na época. Citava amigos e artistas que ele admirava - comenta Jayme.

Para Mariana Lima, que vive Sofia, a mãe do personagem de Jayme, e mulher de Dan Stulbach, a experiência foi semelhante.

- O processo de criação da personagem foi basicamente através de diálogos, de histórias da vida de Arnaldo, do que eu tinha como referências e da pesquisa de livros e internet. Arnaldo pedia que Sofia tivesse uma curva dramática muito grande, pois é uma mulher com muito anseio de liberdade - explica Marina, que está ainda em seis filmes que serão lançados até 2011.

Os atores mantinham um diálogo constante e aberto com Jabor durante as filmagens, mas nada de uma preparação de elenco prévia.

- Não acredito nesse negócio de preparar ator. Tem diretor que acha que o ator é um objeto de cena, um abajur. Que o ator não deve brilhar muito para não atrapalhar a mise en scène do filme. É uma loucura. No cinema não existe personagem; o personagem é o ator - comenta o cineasta.

Jayme Matarazzo é um ator iniciante (fez uma participação na minissérie Maysa e protagonizou a novela Escrito nas Estrelas), mas ele sempre esteve em meio às artes, afinal ele é filho do diretor Jayme Monjardim e neto da cantora Maysa. Mas Jayme só foi encontrar a atuação há pouco tempo.

- Sempre me senti muito artista e não sabia onde me enquadrar. Tive uma banda, gostava muito de fotografia e a coragem de encarar a profissão e o filme veio da confiança que o Arnaldo me passou - diz Jayme.

Tammy di Calafiori interpreta uma stripper de 16 anos.












A atriz Tammy di Calafiori também é nova nas telonas - ela só tinha feito uma ponta em Meu Nome Não É Johnny - e em A Suprema Felicidade já teve que fazer cenas nuas - o que não é raro nos filmes de Jabor.

- Tive que quebrar padrões. Aos poucos fui me soltando, ficando à vontade com a equipe. Era como se eu não estivesse nua. Estava num estágio de conforto - comenta ela.

Uma característica marcante no filme é multiplicidade de gêneros, não se atendo a um ou dois, mas sim a vários gêneros: drama, comédia, romance e musical.

- O filme ficou exatamente como eu queria. Ele não tem um gênero específico de propósito - explica Arnaldo.

Além do novo filme, Jabor falou também de cinema como um todo. Para ele, o cinema mundial tem sofrino um retrocesso depois dos anos 1970, uma “recaretização” do cinema.

- Mesmo disfarçado de moderno, o cinema de hoje tem um falso liberalismo - comenta Jabor, que mesmo ao criticar o cinema atual revela apreciar diretores como o americano Quentin Tarantino e o japonês Takashi Miike.

A ausência de Jabor dos cinemas por tantos anos é facilmente explicada por ele.

- Que profissão é essa que você trabalha faz sucesso, ganha prêmio em Cannes e não ganha dinheiro. Eu tinha que sustentar minhas filhas. Daí fui para o jornalismo. A profissão de cinema é muito angustiante, porque você leva de três a quatro anos para lançar um filme. A vida do cineasta puro é dividida em filmes: vivi nove filmes e morri. Cinema é um inferno. Se você viver só de cinema é f***, você passa fome.

O elenco do filme ainda conta com Marco Nanini, Elke Maravilha, Ary Fontoura, João Miguel, Caio Manhente, Emmiliano Queiroz, Maria Flor, César Cardadeiro e Michel Joelsas.

Bravura Indômita (True Grit), novo filme dos irmãos Ehan e Joel Coen, traz Jeff Bridges e Matt Damon no elenco.

Depois do Oscar de melhor filme e diretor por Onde os Fracos Não Tem Vez os irmãos Joel e Ethan Coen estão de volta ao faroeste com True Grit, que estreia nos Estados Unidos em 25 de dezembro.

Na história, Mattie Ross (Hailee Steinfeld), uma garota de 14 anos, teve seu pai baleado a sangue frio pelo covarde Tom Chaney (Josh Brolin), e agora ela está determinada a buscar justiça. Com a ajuda do agente federal bêbado Rooster Cogburn (Jeff Bridges) ela começa uma jornada para caçar Chaney. Ela terá que perseguir o criminoso em território indígena e encontrá-lo antes que um patrulheiro texano, LeBoeuf (Matt Damon), capture-o e o leve de volta ao Texas pelo assassinato de outro homem.

O filme é um remake de Bravura Indômita, de 1969, que rendeu o Oscar de melhor ator a John Wayne.